Ibovespa despenca 9,88% em outubro com dólar em alta; Tesouro Selic lidera em 12 meses

Destaques
- •O Ibovespa registrou a maior queda mensal em outubro, com desvalorização de 9,88%, enquanto o dólar turismo e comercial avançaram mais de 5%.
- •A reprecificação dos ativos brasileiros após a vitória de Lula na eleição presidencial gerou incertezas sobre a trajetória das contas públicas.
- •Investidores acompanharão os próximos passos do governo em relação ao ajuste fiscal e à política econômica para avaliar o risco do país.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumulou uma queda de 9,88% em outubro, registrando a maior desvalorização entre 13 indicadores financeiros analisados. Paralelamente, o dólar turismo e o dólar comercial lideraram as valorizações, com altas de 5,47% e 5,21%, respectivamente, no mesmo período. Essa movimentação reflete a reprecificação dos ativos brasileiros após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial.
A desvalorização do real e a queda do Ibovespa foram impulsionadas pela expectativa de parte dos investidores de um menor compromisso com o equilíbrio das contas públicas sob a gestão de Flávio Bolsonaro, que havia liderado o 1º turno. A vitória de Lula gerou incertezas sobre a trajetória fiscal, levando investidores a exigirem um prêmio maior para manter recursos em ativos brasileiros.
Reprecificação e "Flávio Day"
O termo "reprecificar" significa que os investidores revisam os preços dos ativos conforme suas expectativas mudam. No caso do Ibovespa, o resultado foi a maior queda mensal, enquanto o dólar registrou a maior alta. O movimento inicial após o 1º turno, conhecido como "Flávio Day", viu o Ibovespa subir 7,70% e o dólar cair 4,12%, demonstrando a aposta em uma mudança na condução da política econômica e em medidas de ajuste fiscal.
Com a vitória de Lula, parte dessa valorização foi revertida. O mercado passou a precificar um risco maior associado aos ativos brasileiros, especialmente em relação à condução da política econômica e à sustentabilidade da dívida pública. O ajuste fiscal é crucial para o mercado, pois ajuda a conter o endividamento público e a reduzir a percepção de risco de calote, o que, por sua vez, pode diminuir os juros e estimular investimentos.
Risco Brasil e CDS em alta
O Risco Brasil, indicador que mede o prêmio de risco exigido por investidores estrangeiros, encerrou outubro em 134,87 pontos, uma queda de 3,45 pontos em relação a setembro. No entanto, o patamar ainda é superior ao de países emergentes como México, Peru e Chile. O CDS (credit default swap) de 5 anos do Brasil, usado como proteção contra calote, subiu 18,25% em uma semana, passando de 119,26 pontos para 141,02 pontos entre 23 e 31 de outubro. Essa alta reflete a maior cautela dos investidores em relação às perspectivas econômicas e à política fiscal do novo governo.
Desempenho dos Investimentos
Em outubro, a prévia da inflação (IPCA-15) subiu 0,32%. Aplicações que renderam acima desse percentual tiveram ganho real. O Tesouro Selic 2029 se destacou com o maior rendimento nominal em 12 meses, atingindo 14,43%, e foi o único título público com resultado positivo em todas as janelas de análise.
Outros títulos públicos, como o Tesouro IPCA 2029 (+1,85% no mês) e o Tesouro Prefixado 2029 (+1,60% no mês), também superaram o IPCA-15 no período. O IGP-M (+1,66% no mês) e os BDRs (+0,93% no mês) também apresentaram desempenho positivo. A poupança rendeu 0,66% no mês.
Considerando o desempenho em 12 meses, sete dos 13 indicadores analisados superaram a inflação, enquanto cinco ficaram abaixo. O Tesouro Selic 2029 foi o destaque, com ganho real de 8,09 p.p. acima da inflação nos 12 meses.
Matérias originais
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