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IA no Brasil: Acesso desigual ameaça ampliar disparidades de renda entre jovens

27 de outubro de 2026
IA no Brasil: Acesso desigual ameaça ampliar disparidades de renda entre jovens

Destaques

  • •Estudo aponta que fluência em IA pode aumentar salários em até 56%, mas acesso e uso complexo são desiguais entre brancos e negros, e homens e mulheres.
  • •Custo de assinaturas avançadas é a principal barreira para 42% dos jovens, enquanto mulheres usam IA para tarefas menos técnicas que homens.
  • •Apesar dos desafios, juventude é otimista com IA na carreira e usa a ferramenta para estudo e até como suporte emocional.

Um estudo inédito do Instituto Leapy, intitulado “Panorama: jovens e IA”, revela que o acesso desigual às ferramentas de inteligência artificial (IA) entre os jovens brasileiros que ingressam no mercado de trabalho pode agravar as disparidades históricas de renda e oportunidade no país. A pesquisa ouviu 329 pessoas com idades entre 18 e 22 anos.

A fluência em IA tem o potencial de gerar um aumento salarial de até 56%. No entanto, a corrida por essa qualificação não é equitativa. O levantamento indica que 70% dos jovens brancos utilizam a tecnologia diariamente, em comparação com 55% dos jovens negros. Rodrigo Santos, psicólogo e professor da Leapy, alerta que, sem políticas de inclusão, a valorização financeira da IA pode concentrar ainda mais a renda e limitar o acesso da população negra a empregos mais bem remunerados.

Custo financeiro e assimetria de gênero como barreiras

O principal obstáculo para o aprofundamento no uso da IA não é a falta de tempo ou de equipamentos, mas sim o fator econômico. Para 42% dos entrevistados, e especificamente 51,2% dos usuários diários, o custo das assinaturas pagas de versões avançadas da ferramenta é a maior barreira para evoluir em seu aprendizado e aplicação.

No recorte de gênero, embora a frequência de uso diário seja semelhante — 60,6% entre mulheres e 67% entre homens —, existe uma discrepância significativa no nível de complexidade das tarefas realizadas. Enquanto 58,4% dos homens aplicam a IA para tarefas técnicas avançadas, como programação, apenas 26,6% das mulheres utilizam a ferramenta para essa mesma finalidade. Essa disparidade reflete barreiras históricas no setor de tecnologia, onde as mulheres representam apenas 19% dos especialistas, segundo dados da Softex. Adicionalmente, mulheres relatam ter 2,6 vezes mais medo de usar a IA de forma incorreta do que os homens.

Otimismo e suporte emocional na juventude

Apesar dos desafios apresentados, a juventude brasileira demonstra otimismo em relação ao papel da IA em suas carreiras. Apenas 5% dos jovens acreditam na eliminação em massa de vagas de entrada nos próximos cinco anos, enquanto uma expressiva maioria de 80% projeta transformações positivas no ambiente de trabalho.

No contexto acadêmico, a IA já é uma ferramenta consolidada: 83% dos estudantes a utilizam para estudar e compreender matérias escolares ou universitárias. De forma inesperada, a ferramenta também assumiu um papel de suporte social. Cerca de 18% dos jovens relatam usar a IA para desabafar, buscar conselhos ou companhia, o que sinaliza como a Geração Z busca espaços de acolhimento diante da ansiedade e das pressões do cotidiano.

O relatório reforça a urgência de incluir a democratização da inteligência artificial na agenda corporativa e de recursos humanos, visando mitigar os riscos de aprofundamento das desigualdades.

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