IA generativa impulsiona nova onda de Shadow IT, alerta especialista

Destaques
- •Soluções criadas por IA em linguagem natural podem gerar nova forma de Shadow IT, com riscos de segurança e dívida tecnológica.
- •Empresas com uso elevado de Shadow AI relataram custos de violação de dados US$ 670 mil maiores, segundo IBM.
- •Governança adaptativa e papel da TI focado em padrões e controles são essenciais para gerenciar a criatividade distribuída.
A próxima onda de Shadow IT, o uso não autorizado de tecnologia por funcionários, pode surgir de soluções inteiras criadas em linguagem natural por pessoas sem conhecimento de programação, impulsionadas pela inteligência artificial generativa. A Microsoft já oferece ferramentas como o Copilot Studio, que permite descrever um problema de negócio e receber um rascunho de aplicativo. Essa democratização do desenvolvimento, embora positiva, traz desafios de arquitetura, segurança e responsabilidade.
A tendência de funcionários criarem ou modificarem tecnologia fora do controle da TI já era crescente. O Gartner previa que 75% dos funcionários estariam envolvidos em Shadow IT até 2027. Com a IA, a barreira técnica diminuiu drasticamente, permitindo que analistas transformem necessidades operacionais em dashboards ou aplicações em poucas horas. O problema surge quando esses protótipos se tornam dependências, recebem dados sensíveis ou orientam decisões sem que a responsabilidade por sua manutenção seja clara.
Nova forma de dívida tecnológica e riscos de segurança
Isso resulta em uma nova forma de dívida tecnológica. Soluções criadas por funcionários podem funcionar enquanto o criador está na empresa e os processos não mudam. Contudo, a ausência de documentação, testes ou controle de versões pode levar a problemas quando regras mudam, integrações falham ou o autor sai. O risco afeta empresas de todos os tamanhos, desde pequenas, que podem ficar reféns de um único indivere, até grandes, que acumulam ativos invisíveis.
A segurança se torna ainda mais crítica. Um relatório da IBM indicou que uma em cada cinco organizações pesquisadas relatou violações associadas a Shadow AI. Empresas com alto uso não autorizado tiveram, em média, US$ 670 mil a mais em custos de violação. Além disso, 97% das organizações com incidentes relacionados à IA não possuíam controles de acesso adequados. Ferramentas que conectam bases internas, credenciais ou informações pessoais aumentam a superfície de risco da empresa.
Governança adaptativa e o novo papel da TI
A resposta de centralizar ou bloquear essas ferramentas tende a falhar, pois ignora a facilidade de criação tecnológica. Uma governança eficaz deve ser proporcional ao risco. Um formulário temporário não exige o mesmo rigor de uma aplicação que lida com dados pessoais. O papel da TI evolui de construtora para definidora de padrões, ambientes aprovados, controles de acesso, arquitetura e critérios para transformar protótipos em produtos.
A democratização do desenvolvimento não diminui a importância da engenharia, mas a aumenta. A necessidade de garantir que as soluções criadas sejam encontradas, compreendidas, mantidas e desligadas com segurança se torna maior. Empresas preparadas não impedirão a criatividade, mas a transformarão em capacidade tecnológica governada. O risco real do Shadow IT não é a velocidade da criação, mas a descoberta tardia de que um experimento se tornou infraestrutura crítica, segundo Lucas Toledo, CEO da KXP Tech.



