IA Física: 15% das startups globais já desenvolvem a tecnologia

Destaques
- •Estudo da AWS aponta que 15% das startups no mundo já trabalham com IA física, combinando inteligência artificial com hardware para operações autônomas.
- •No Brasil, o agronegócio lidera a adoção, com 47% das startups focando no setor, impulsionado pela escassez de mão de obra e busca por desempenho.
- •Apesar do potencial, barreiras como acesso a capital, componentes e talentos especializados ainda limitam a expansão da IA física em escala global.
Quinze por cento das startups globais já desenvolvem soluções de inteligência artificial (IA) física, que combina modelos de IA com sensores, controladores e máquinas inteligentes para que robôs, drones e equipamentos industriais operem de forma autônoma. O dado é do estudo “Tendências globais de startups: A IA ganha forma física”, publicado pela Amazon Web Services (AWS) em parceria com a Strand Partners. O levantamento, realizado entre junho e dezembro de 2026, ouviu 4.420 startups de tecnologia em 20 países.
IA Física no Brasil: o protagonismo do agronegócio
No Brasil, o agronegócio desponta como principal vetor de adoção da tecnologia. Entre as startups brasileiras, 47% apontam o setor agrícola como uma das primeiras áreas a ser transformadas pela IA física, percentual que supera a média global de 25% e fica atrás apenas da Argentina, onde 50% das startups fazem a mesma indicação. A Colômbia registra 37%.
As aplicações mapeadas no setor incluem agricultura de precisão, monitoramento de lavouras, pulverização robótica e tratores autônomos. A adoção é puxada por dois fatores em proporções próximas: a escassez de mão de obra técnica, citada por 29% dos entrevistados como motivação, e os ganhos de desempenho, mencionados por 27%.
Desafios e barreiras para a expansão
O acesso a profissionais qualificados, porém, é um gargalo significativo. Apenas 49% das empresas do setor têm os especialistas necessários para implementar e manter seus sistemas. Somente 44% afirmam contar com uma base sólida de talentos locais em robótica e hardware.
Apesar do potencial, as startups enxergam barreiras concretas à adoção em escala. Apenas 26% acreditam que suas economias locais estão prontas para implementar a IA física, embora 76% esperem que ela se torne tecnologia convencional nos próximos cinco anos.
Outras barreiras apontadas foram o alto custo do desenvolvimento de hardware combinado com cadeias de suprimento e componentes vulneráveis a barreiras comerciais e tarifas, além de um desafio comum ao mercado de tecnologia em geral: a escassez de profissionais especializados. Os perfis mais buscados pelas startups do setor são engenheiros de mecatrônica e robótica.
O papel da nuvem e o futuro da IA física
A infraestrutura que sustenta o desenvolvimento da tecnologia é, em grande parte, baseada em cloud. Setenta e dois por cento dos entrevistados dizem construir, treinar e colocar em operação seus sistemas na nuvem. “Tornar a computação em nuvem disponível e acessível é um habilitador para o desenvolvimento da IA física”, afirma Karina Lima, diretora de Startups na AWS Brasil.
Para Lima, o critério de liderança nessa corrida não será tecnológico. “A mensagem mais importante que esta pesquisa nos deixa é que os países que irão liderar a era da IA física não serão necessariamente aqueles com os protótipos mais avançados. Serão aqueles que desenvolverem os mercados de capitais, as cadeias de suprimentos, os talentos e as estruturas regulatórias que permitam a implementação da IA física em escala”, afirma.
Sobre o impacto no mercado de trabalho, 70% dos desenvolvedores ouvidos pela pesquisa acreditam que a IA física criará mais empregos do que substituirá.
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