IA em empresas: foco muda de ferramenta para resultados e governança

Destaques
- •Empresas buscam demonstrar impacto da IA na produtividade e resultados, migrando o foco de ferramentas para o retorno sobre investimento.
- •Avanço da IA agêntica exige novas formas de liderança, governança de dados e capacitação de profissionais para colaboração humano-máquina.
- •O futuro do trabalho com IA dependerá da capacidade das empresas em gerenciar equipes híbridas e da colaboração entre humanos e agentes digitais.
A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas entra em uma nova fase, onde o principal desafio deixou de ser a disponibilização de ferramentas e passou a ser a demonstração de seu impacto real na produtividade, eficiência e resultados de negócio. Executivas de empresas como Visa, VR, Ânima Educação, Edenred e Matrix Go, durante o TI Inside Innovation Forum 2026, destacaram que as organizações agora buscam o retorno sobre os investimentos em IA, questionando o aumento da produtividade e a eficiência gerada. A pergunta central migrou de "como implementar IA?" para "como a IA pode acelerar a resolução de desafios de negócio?".
O problema de negócio antes da ferramenta
A expansão do acesso à IA permite que profissionais de diversas áreas desenvolvam soluções, mas o uso de uma ferramenta não garante valor. Para Viviane Kokudai, da Visa, é crucial conhecer o processo a ser melhorado, as necessidades do negócio e a qualidade dos resultados. O foco agora é resolver problemas de negócio, e não apenas inserir IA em processos existentes. Vanessa Takaoka, da Ânima Educação, exemplificou como um profissional interno, com conhecimento de atendimento ao cliente, desenvolveu uma solução de IA em duas semanas que parceiros externos não conseguiram em meses, evidenciando a importância de reconhecer talentos internos e conectar suas iniciativas às necessidades da empresa.
Denise Paludetto, da VR, ressalta que a liderança tradicional de comando e controle não sobrevive neste novo ambiente. A VR adota um modelo de liderança baseado no alinhamento entre pensamento, sentimento e ação, combinando direcionamento estratégico com atenção às emoções das equipes. A segurança psicológica é fundamental para que colaboradores experimentem ferramentas de IA sem receio de punições, especialmente diante da ansiedade gerada pela velocidade das transformações tecnológicas.
Inovação e governança em equilíbrio
A busca por resultados com IA deve considerar os riscos, especialmente com informações sensíveis. Viviane Kokudai (Visa) mencionou o uso de ferramentas em ambientes controlados para evitar a exposição de dados corporativos, buscando um equilíbrio entre inovação e governança. A adoção da IA está mais rápida que a governança, segundo Denise Paludetto (VR), o que exige atenção à segurança da informação. A Ânima Educação enfrentou desafios na organização de dados para seus agentes de IA, destacando a importância da governança de dados para oferecer informações consistentes.
Charlotte Guinet, do Grupo Edenred, questiona como o tempo liberado pela IA será utilizado, enfatizando que a inovação começa com problemas individuais e pode ser aplicada em processos corporativos. A Edenred utiliza uma solução interna multi-LLM (EdenChat) para experimentação. As ideias geradas por IA exigem pensamento crítico e conhecimento do negócio, pois a tecnologia é uma ferramenta de apoio, não a solução completa. A executiva defende que líderes incentivem o senso crítico e abandonem modelos hierárquicos, dando visibilidade a talentos autodidatas.
O futuro do trabalho com IA agêntica
Com o avanço da IA agêntica, a tecnologia passa a assumir atividades de ponta a ponta, tornando-se uma nova força de trabalho. Agentes de IA podem executar fluxos de trabalho complexos, desde atendimento ao cliente até processos comerciais. Isso não significa necessariamente substituição de pessoas, mas sim a necessidade de repensar o papel humano, focando em julgamento, criatividade e tomada de decisão. A colaboração entre humanos e agentes digitais é vista como um dos maiores ganhos de produtividade futuros, mas exige que as empresas revisem processos, definam objetivos claros, organizem dados e estabeleçam mecanismos de monitoramento e governança.
A preparação das pessoas para trabalhar com essas novas "colegas" digitais é um desafio crucial. Assim como a chegada dos computadores exigiu novas habilidades, a IA agêntica demandará adaptação. Profissionais que souberem delegar tarefas, avaliar resultados e intervir quando necessário terão uma relação diferente com o trabalho. As empresas precisarão gerenciar equipes híbridas, onde profissionais definem estratégias ao lado de agentes que executam operações continuamente. Nicola Sanchez, CEO da Matrix Go, conclui que a questão não será mais se as empresas usarão IA, mas se estarão preparadas para gerenciar uma força de trabalho que também será digital.
Matérias originais
- Visa destaca a mudança da experimentação com IA para a cobrança por resultados · tiinside.com.br
- VR coloca segurança psicológica no centro da liderança na era da IA · tiinside.com.br
- Ânima transforma projeto de IA parado há meses em solução desenvolvida em duas semanas · tiinside.com.br
- Edenred busca transformar ganhos de produtividade com IA em novas oportunidades para os colaboradores · tiinside.com.br
- Sua empresa está pronta para contratar funcionários que não são humanos? · tiinside.com.br


