HBR Realty conclui OPA e tira Helbor da bolsa de valores

Destaques
- •HBR Realty adquiriu mais de 80% do capital da Helbor em oferta pública de aquisição (OPA).
- •A Helbor deixa o Novo Mercado da B3 e se torna subsidiária da HBR, com liquidação prevista para 9 de novembro.
- •A operação, sem desembolso de caixa, visa sinergias e redução de exposição a ciclos de incorporação.
A HBR Realty concluiu com sucesso a oferta pública de aquisição (OPA) para tirar a Helbor da bolsa de valores, a B3, na quarta-feira, 28 de outubro. Mais de dois terços do capital em circulação (free float) da Helbor aceitaram a oferta, que consistia em receber 0,8155 ação da HBR para cada papel da incorporadora. Somadas às ações já detidas pela família Borenstein, controladora de ambas as empresas, as vendas superaram 80% do capital total da Helbor, consolidando a operação.
A liquidação da oferta está prevista para 9 de novembro, data em que a Helbor deixará o Novo Mercado, segmento de listagem da B3, e passará a operar como uma subsidiária integral da HBR. A união das companhias visa criar uma estrutura com perfis complementares: a HBR, focada em renda recorrente com shoppings e lajes corporativas, e a Helbor, uma incorporadora. A expectativa da HBR é reduzir a exposição aos ciclos inerentes ao mercado de incorporação e acessar um banco de terrenos concentrado em mais de 80% na cidade de São Paulo.
Sinergias e redução de custos
A combinação das empresas também promete gerar sinergias significativas através do corte de despesas gerais e administrativas. Além disso, a HBR espera eliminar os custos associados à manutenção da Helbor como companhia aberta na bolsa. A oferta, anunciada em 3 de julho, fixou o preço de R$ 2,52 por ação da Helbor, a ser pago integralmente em ações da HBR, sem a necessidade de desembolso de caixa por parte da adquirente.
O valor total da operação, considerando a adesão de 80% do capital da Helbor, soma pelo menos R$ 267 milhões. A relação de troca de ações foi definida com base em um laudo de avaliação da Apsis, que utilizou a média ponderada das cotações de ambas as companhias nos 90 pregões anteriores. Segundo esse critério, a Helbor foi avaliada em R$ 2,52 por ação e a HBR em R$ 3,09.
Adesão dos minoritários e reações iniciais
A operação dependia de duas condições: a compra de pelo menos 50,1% do capital e a aprovação de mais de dois terços dos acionistas minoritários habilitados. Como a família Borenstein, que detinha 50,1% da Helbor, só se comprometeu a vender suas ações caso o quórum fosse atingido, a decisão final ficou nas mãos dos minoritários. A alta adesão dos acionistas contrasta com a reação inicial do mercado, quando as ações da Helbor chegaram a cair mais de 20% no pregão seguinte ao anúncio da OPA.
O preço oferecido na OPA também ficou abaixo do valor patrimonial da incorporadora, que era de R$ 10,91 por ação, e do valor calculado pela própria Apsis por fluxo de caixa descontado, de R$ 3,95. O conselho de administração da Helbor, em seu parecer recomendando a adesão, argumentou que, em uma permuta de ações, o que importa é a relação de troca, e não o preço absoluto. Pelo fluxo de caixa descontado, a HBR também valeria mais, o que reduziria a relação de troca para 0,7582 ação da HBR por ação da Helbor. Pelo valor patrimonial, a relação cairia para 0,6206.
Na quarta-feira, 28 de outubro, as ações da Helbor fecharam cotadas a R$ 1,54, enquanto as da HBR encerraram o pregão a R$ 1,96.
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