Tecnologia & NegóciosRelevância BR: 6/10

Hackers usam IA Claude e Grok para automatizar ataques a 400 instituições financeiras

23 de outubro de 2026
Hackers usam IA Claude e Grok para automatizar ataques a 400 instituições financeiras

Destaques

  • •Grupo CyberCartel automatizou ataques contra mais de 400 instituições financeiras na América Latina usando modelos de IA como Claude e Grok.
  • •Criminosos roubaram senhas, dados bancários e credenciais de acesso, explorando vulnerabilidades e contornando restrições de segurança das IAs.
  • •As empresas Anthropic e xAI já responderam à investigação, bloqueando credenciais e analisando o caso.

Um grupo de hackers identificado como CyberCartel utilizou modelos de inteligência artificial (IA) como o Claude, da Anthropic, e o Grok, da xAI, para automatizar ataques contra mais de 400 instituições financeiras na América Latina. A investigação da empresa de cibersegurança Straiker revelou que os criminosos conseguiram roubar senhas, dados bancários e outras informações sensíveis.

O sistema desenvolvido pelo grupo, chamado CARLIY0S, permitiu distribuir tarefas entre diferentes agentes de IA, minimizando a necessidade de intervenção humana. Os alvos incluíam bancos, empresas de pagamentos e fintechs, embora o relatório não identifique publicamente todas as instituições afetadas.

Como a IA foi usada nos ataques

O Claude atuou como um coordenador da operação, utilizando a ferramenta de programação com IA Cursor. Quatro agentes baseados no Claude foram responsáveis por identificar falhas, escrever códigos para explorar vulnerabilidades e definir estratégias de ataque. Já o Grok foi empregado em atividades de coleta de informações, com cinco agentes alimentando um banco de dados com os dados obtidos.

O grupo também recorreu ao modelo Kimi, da Moonshot AI. Essa estrutura permitiu automatizar diversas etapas dos ataques, desde a identificação de vítimas até a exploração de sistemas e a coleta de dados, ampliando a capacidade operacional do CyberCartel.

Contornando as restrições de segurança

Um dos pontos cruciais da investigação foi a forma como os hackers enganaram as IAs. Eles apresentaram suas solicitações como testes de segurança autorizados, pesquisas acadêmicas ou atividades de identificação de vulnerabilidades. Dessa maneira, conseguiram que os agentes de IA gerassem códigos e instruções que poderiam ser usados nos ataques.

Quando um modelo recusava uma solicitação, o sistema podia alternar para outro ou usar códigos maliciosos pré-preparados. Os comandos iniciais dos operadores podiam ser simples, pois a estrutura de agentes cuidava das tarefas mais complexas.

Dados roubados e próximos passos

Em 24 de setembro, pesquisadores da Straiker acessaram o banco de dados FinancialSoft, contendo 4.493 registros. Entre os dados estavam 2.911 endereços de e-mail, 903 números de contas bancárias, 391 chaves de API, 67 senhas em texto simples e 51 credenciais de acesso a portais. Foram identificadas mais de 200 vulnerabilidades, incluindo falhas zero-day.

Parte das informações estava relacionada ao SPEI, sistema de transferências bancárias do México. A Straiker alertou que algumas credenciais poderiam permitir acesso indevido à infraestrutura de pagamentos, mas não há confirmação de transações fraudulentas.

A Straiker informou as empresas responsáveis pelas IAs. A Anthropic confirmou o bloqueio da credencial usada para acessar o Claude. A xAI informou que está analisando o caso dos agentes ligados ao Grok.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Hackers usam IA Claude e Grok para automatizar ataques a 400 instituições financeiras | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias