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Hackers invadem apps de alerta na Ucrânia e Rússia com falsas ameaças

03 de novembro de 2026
Hackers invadem apps de alerta na Ucrânia e Rússia com falsas ameaças

Destaques

  • •Aplicativos de alerta de emergência na Ucrânia e Rússia foram invadidos por hackers.
  • •Mensagens falsas sobre ataques aéreos, nucleares e químicos foram enviadas, causando preocupação.
  • •As autoridades de ambos os países trabalham para restabelecer a segurança dos sistemas e orientam a população a confiar em canais oficiais.

Aplicativos de alerta de emergência usados por moradores da Ucrânia e da Rússia foram invadidos por hackers na madrugada de domingo (1). Os ataques resultaram no envio de mensagens falsas sobre ataques aéreos, ameaças nucleares e químicas, gerando apreensão em meio ao conflito entre os dois países.

Na Ucrânia, o aplicativo público de alerta de ataques aéreos começou a disparar notificações falsas pouco antes das 23h de domingo, no horário local. As mensagens, que mencionavam Kiev e outras regiões, alertavam sobre possíveis ataques com armas nucleares e químicas, além de combates nas ruas. Uma das notificações afirmava que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik, capaz de transportar uma ogiva nuclear, e que um alerta nuclear havia sido declarado.

A Força Aérea ucraniana informou que o sistema aparentemente foi comprometido por hackers russos, apontando como indício o fato de as notificações terem sido transmitidas em russo, idioma que não é o oficial para comunicações de emergência no país. "Não existe ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!", afirmou a Força Aérea em uma mensagem. Pouco depois, notificações informando que o perigo havia passado foram enviadas. O Ministério da Transformação Digital da Ucrânia suspendeu temporariamente o aplicativo, mas garantiu que os demais canais de comunicação continuavam funcionando.

Aplicativo russo também foi alvo

Horas após o incidente na Ucrânia, a agência estatal russa TASS informou que o aplicativo do Ministério de Situações de Emergência da Rússia também foi atingido por um ataque cibernético. O grupo Atesh, identificado como uma organização hacker pró-Ucrânia, publicou uma captura de tela da notificação falsa em seu canal no Telegram, afirmando que o aplicativo havia sido invadido.

No caso russo, os hackers enviaram um alerta afirmando que ogivas nucleares haviam sido lançadas contra todas as regiões do país. A mensagem também recomendava que a população armazenasse alimentos suficientes para três semanas e procurasse abrigo em porões. O conteúdo não tentava imitar uma comunicação oficial, apresentando expressões coloquiais e insultos direcionados à Rússia.

O Ministério de Situações de Emergência russo minimizou o impacto do episódio, afirmando que o aplicativo atingido não era um dos principais canais oficiais de alerta à população, mas apenas uma fonte complementar de informações. As autoridades declararam que especialistas trabalhavam para restabelecer o funcionamento normal do serviço e orientaram os cidadãos a confiar apenas no site oficial do ministério e em seus perfis institucionais nas redes sociais.

Hackers não foram identificados

A Reuters informou que não conseguiu verificar quais grupos foram responsáveis pelos ataques. Especialistas já associaram outros incidentes de segurança cibernética ocorridos durante a guerra a hackers ativistas e também a agências de inteligência dos dois lados do conflito.

Em Kiev, moradores ouvidos pela agência disseram que não entraram em pânico ao receber as notificações falsas. Artem Pyndyk, empresário de 37 anos, afirmou que ficou brevemente surpreso, mas logo percebeu que poderia se tratar de uma mensagem falsa, destacando que o episódio não provocou a reação esperada pelos invasores. Oksana Vostrykova, funcionária de uma pizzaria de 48 anos, disse que desconfiou imediatamente da notificação, com sua maior preocupação voltada aos filhos que poderiam estar nas proximidades.

Os ataques aconteceram no mesmo dia em que terminou um cessar-fogo local de seis dias, intermediado pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, em pequena área do sul da Ucrânia. A pausa havia sido a mais longa desde o início da invasão russa em grande escala, em 2022.

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