Guiné-Bissau proíbe estudo controverso de vacina contra hepatite B em recém-nascidos

Destaques
- •Governo da Guiné-Bissau desautoriza estudo clínico financiado pelos EUA sobre vacina contra hepatite B em recém-nascidos.
- •Pesquisa envolveria 14 mil bebês e contraria recomendações da OMS de vacinação nas primeiras 24 horas de vida.
- •O governo da Guiné-Bissau encerrou a polêmica ao proibir a realização da pesquisa.
O governo da Guiné-Bissau desautorizou um controverso estudo clínico sobre uma vacina contra a hepatite B em recém-nascidos, financiado pelos Estados Unidos. Após semanas de discussões, a administração proibiu a realização da pesquisa, que previa envolver 14 mil bebês. Metade receberia a vacina ao nascer, enquanto os outros 7 mil teriam a imunização adiada para a sexta semana de vida.
A decisão do governo da Guiné-Bissau contraria as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que preconiza a vacinação contra a hepatite B nas primeiras 24 horas de vida. O esquema de imunização da OMS oferece proteção por vários anos e é crucial para prevenir infecções crônicas.
Estudo considerado antiético pela OMS
Em fevereiro deste ano, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, condenou publicamente o estudo, classificando-o como "antiético". Ele alertou que a não administração da dose ao nascer pode expor os bebês a uma alta probabilidade de infecção, resultando em uma proporção significativa de mortes.
O estudo era financiado pelo governo norte-americano, sob a gestão do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., conhecido por seu ceticismo em relação a vacinas. A pesquisa teria duração de cinco anos e acompanharia indicadores como mortalidade, internações e desenvolvimento infantil.
Financiamento e detalhes da pesquisa
Ao todo, US$ 1,6 milhão dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) seria destinado ao Bandim Health Project, ligado à Universidade do Sul da Dinamarca. Adicionalmente, US$ 1,6 milhão foi doado por fundações privadas, incluindo a Pershing Square Foundation e a Bluebell Foundation.
A Guiné-Bissau é um país com alta prevalência de hepatite B, afetando uma em cada cinco pessoas. A infecção viral pode causar danos permanentes ao fígado e levar ao câncer hepático. Recém-nascidos, especialmente quando a transmissão ocorre da mãe para o bebê, estão entre os grupos com maior risco de desenvolver infecção crônica.
Histórico e desfecho da polêmica
O país já havia proibido anteriormente testes de vacinas envolvendo crianças. Em meados de outubro, o ministro da Saúde, Quinhin Nantote, reiterou que as autoridades ainda não haviam autorizado o experimento. O anúncio desta sexta-feira (06/11) encerra a polêmica em torno do tema, com o governo local impedindo a realização do estudo.
Matérias originais
- Guiné-Bissau cancela ‘teste polêmico’ de vacina financiado pelos EUA · operamundi.uol.com.br


