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Grupo Euro17 pede recuperação judicial com passivo de R$ 1,72 bilhão

22 de outubro de 2026
Grupo Euro17 pede recuperação judicial com passivo de R$ 1,72 bilhão

Destaques

  • •O Grupo Euro17, composto por oito empresas, entrou com pedido de recuperação judicial em São Paulo.
  • •O passivo declarado é de R$ 1,72 bilhão, envolvendo 5.034 credores, majoritariamente investidores de debêntures privadas.
  • •A empresa busca consolidação substancial do processo e a suspensão de execuções e bloqueios por 180 dias.

O Grupo Euro17, controlado por Ik Cavalcanti Albuquerque, entrou com pedido de recuperação judicial na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. O processo, que envolve oito empresas do grupo, incluindo a Euro Securitizadora e a Prime Euro Securitizadora, declara um passivo de R$ 1,72 bilhão distribuído entre 5.034 credores. As empresas solicitam que a recuperação seja processada em consolidação substancial, com uma lista e um plano únicos para todas as companhias, além da suspensão de execuções e bloqueios por 180 dias.

Origem e Expansão do Grupo

Fundado em 2017 com foco em desconto de duplicatas e capital de giro, o grupo mudou sua estratégia após a pandemia para crédito pessoal às classes C e D, operando com uma plataforma digital. Segundo a petição, o grupo afirma ter atendido mais de 1,5 milhão de clientes e intermediado mais de R$ 2 bilhões em cerca de 500 mil contratos, com empréstimos de taxa média de 18% ao mês.

A expansão da carteira de crédito foi majoritariamente financiada pela venda de debêntures privadas da Euro Securitizadora e da Prime Euro Securitizadora a cerca de 4 mil investidores pessoa física. Foram R$ 1,28 bilhão em principal, distribuídos em 9.393 contratos, com remuneração média entre 1,62% e 1,66% ao mês. Os títulos eram subordinados, sem garantia real e sem agente fiduciário independente, conforme revelado anteriormente.

Crise Financeira e Desafios Operacionais

O grupo atribui a crise a dois fatores principais: a alta inadimplência na carteira de crédito pessoal e a crise do Banco Master, que abalou a confiança dos investidores. A empresa estima uma saída líquida de caixa de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões por mês, pois o dinheiro novo captado era destinado à fila de resgates, inviabilizando a concessão de crédito.

O passivo de R$ 1,72 bilhão é uma estimativa preliminar e o grupo não possui certidão negativa de débitos fiscais, estando em negociação de parcelamento. A empresa alega que a crise é eminentemente financeira, causada pelo descasamento entre os prazos de captação e os da carteira, e não pela inviabilidade do negócio.

Imagem Pública vs. Realidade

Apesar de cultivar uma imagem de expansão, com investimentos em escritórios de luxo na Faria Lima e festas grandiosas para colaboradores, a realidade financeira se mostrava mais delicada. Ex-funcionários relatam que a empresa negava pedidos de valores baixos para ações internas meses após eventos de grande porte.

A falta de clareza nas contas foi evidenciada no pedido judicial, onde o grupo alegou precisar de auditoria contábil-financeira para estruturar a recuperação, mas, na mesma petição, afirmava ter apresentado todos os documentos exigidos por lei. A juíza negou o pedido inicial de sigilo e proteção patrimonial antecipada.

Próximos Passos no Processo

O pedido de recuperação judicial foi formalizado após a negativa de uma ação cautelar que buscava sigilo e suspensão de cobranças. Credores souberam da ação com atraso, por meio de uma certidão de distribuição. Se o pedido for aceito, as execuções serão suspensas por 180 dias, um administrador judicial fiscalizará a operação e o grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação. Investidores terão 15 dias para verificar seus créditos na lista de credores.

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