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GPA reverte lucro em prejuízo, mas melhora margem e reduz dívida

04 de novembro de 2026
GPA reverte lucro em prejuízo, mas melhora margem e reduz dívida

Destaques

  • •GPA registra prejuízo líquido de R$ 731 milhões no 3º tri, revertendo lucro anterior.
  • •Apesar do resultado negativo, Ebitda ajustado cresce 16,9% e margem bruta avança 3,1 p.p.
  • •Com recuperação extrajudicial homologada, alavancagem deve cair de 3,7 para 1,2 vez.

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) divulgou nesta quarta-feira (4) um prejuízo líquido consolidado de R$ 731 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 137 milhões registrado no mesmo período de 2025. A receita líquida da varejista caiu 9,6%, atingindo R$ 4,1 bilhões, enquanto as vendas totais recuaram 6,5%. As vendas em mesmas lojas, que comparam unidades abertas há mais de um ano, apresentaram queda de 1,4%.

Apesar do resultado negativo, a companhia conseguiu melhorar sua rentabilidade operacional. O Ebitda ajustado cresceu 16,9%, somando R$ 482 milhões, e a margem Ebitda alcançou 11,7%, um avanço de 2,7 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A margem bruta atingiu 30,7%, com alta de 3,1 pontos percentuais, impulsionada pela saída de negócios menos rentáveis e ajustes no sortimento.

Ajustes e descontinuidade de operações

O prejuízo líquido consolidado foi impactado por R$ 511 milhões de operações descontinuadas, incluindo uma provisão de R$ 467 milhões relacionada a uma arbitragem com a Casas Bahia. Entre as medidas que afetaram o trimestre estão a descontinuidade do formato Aliados, o encerramento de parcerias de fulfillment e a venda da empresa de fidelidade Stix à RD Saúde.

Segundo Alexandre Santoro, CEO do GPA, a queda na receita é resultado de iniciativas da própria companhia para recuperar margens, optando por descontinuar operações menos rentáveis. Ele projeta que a empresa volte a crescer as vendas em mesmas lojas em 2027.

Recuperação extrajudicial e redução de endividamento

Com a homologação da recuperação extrajudicial (RE) em outubro, o GPA avança na reestruturação de suas finanças. A alavancagem financeira, que estava em 3,7 vezes no fechamento do trimestre, deve cair para 1,2 vez com a utilização de recursos da venda de sua participação na financeira FIC ao Itaú para amortização da dívida.

O plano de RE prevê o alongamento do prazo médio da dívida de 2,1 para 6,4 anos e a redução dos pagamentos previstos até 2028 de R$ 5,2 bilhões para cerca de R$ 400 milhões. O diretor financeiro, Pedro Albuquerque, informou que esses efeitos ainda não estão refletidos no balanço de setembro e devem ser contabilizados no quarto trimestre.

Reposicionamento de bandeiras e próximos passos

O GPA planeja reforçar o posicionamento de preço baixo no Extra, que responde por mais de 30% da receita do grupo. Já no Pão de Açúcar, a prioridade é melhorar a execução operacional, especialmente em perecíveis, considerados um diferencial competitivo.

A melhora no relacionamento com fornecedores também é vista como crucial. Após um período de rupturas de abastecimento durante o processo de RE, a situação está próxima do normal. Os investimentos em capex (despesas de capital) caíram 56% no acumulado de nove meses, totalizando R$ 226 milhões, refletindo a seletividade na destinação de recursos.

A expectativa é que os ajustes promovidos pelo GPA ainda tenham um impacto residual marginal no quarto trimestre e nos primeiros meses de 2027, com um efeito positivo nas vendas a partir de 2027. A empresa busca recuperar a participação de mercado perdida nos últimos anos, garantindo rentabilidade.

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