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GPA reverte lucro e registra prejuízo de R$ 220 milhões no 3º trimestre

05 de novembro de 2026
GPA reverte lucro e registra prejuízo de R$ 220 milhões no 3º trimestre

Destaques

  • •Grupo GPA registrou prejuízo de R$ 220 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo lucro de R$ 142 milhões do ano anterior.
  • •CEO Alexandre Santoro atribui resultado a efeitos extraordinários e decisões estratégicas para interromper operações com margens negativas.
  • •Companhia espera benefícios da recuperação extrajudicial e captação de R$ 200 milhões até dezembro para melhorar o desempenho.

O Grupo GPA registrou um prejuízo de R$ 220 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 142 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. A divulgação do resultado ocorreu nesta quarta-feira (4).

Em entrevista, o CEO da companhia, Alexandre Santoro, explicou que a comparação entre os períodos deve considerar efeitos extraordinários do ano passado. "Ano passado teve um crédito extemporâneo, foi algo atípico que aconteceu e que fez a gente ter lucro na época. Quando você tira esse efeito extraordinário, que não é recorrente, e compara ano contra ano, a gente sai de um prejuízo de 360 milhões para um prejuízo ainda de 240 milhões", afirmou.

Segundo o executivo, os números indicam uma melhora no resultado operacional, embora a companhia ainda apresente saldo negativo.

Recuperação extrajudicial e queda de receita

Santoro explicou que a recuperação extrajudicial, homologada em outubro, ainda não aparece nos resultados do terceiro trimestre. Os benefícios do processo devem ser percebidos nos períodos seguintes, conforme a execução das medidas previstas.

"A gente homologou a recuperação extrajudicial agora em outubro, só que a gente está na fase de execução normal dos trâmites, mas no balanço ainda não aparecem os benefícios", disse. Uma captação de R$ 200 milhões e a troca de dívida estão previstas para ocorrer até dezembro.

Sobre o desempenho da receita, o executivo esclareceu que a retração foi de 6,5%, e não de quase 10%. Desse total, cinco pontos percentuais decorreram de decisões estratégicas para interromper operações com margens negativas ou reduzidas. "A gente tinha algumas receitas e alguns negócios que tinham margem negativa ou margem muito baixa. Então, a gente tomou a decisão consciente de que isso afetaria a venda, mas melhoraria a última linha", afirmou.

Nas vendas em mesmas lojas, que consideram apenas unidades em operação nos dois períodos comparados, a queda foi de 1,5%.

Fatores por trás da queda nas vendas

Santoro atribuiu o recuo nas vendas em mesmas lojas a dois fatores principais: o cenário macroeconômico e os efeitos da recuperação extrajudicial sobre o abastecimento das unidades. O varejo alimentar enfrenta uma retração de volume há cerca de dois anos.

Além disso, o processo de renegociação de dívidas provocou instabilidades na relação com alguns fornecedores, resultando em rupturas no abastecimento das lojas. "Esse processo foi muito importante, mas ele, de certa maneira, afetou as nossas vendas", reconheceu.

Apesar da retração da receita, o executivo destacou avanços na eficiência operacional. A interrupção de operações menos rentáveis, combinada ao controle de custos e à melhora das margens comerciais, contribuiu para um crescimento de 17% no Ebitda na comparação anual.

Entre as iniciativas para recuperar vendas e participação de mercado, Santoro citou o reposicionamento da marca Extra, com testes em andamento no Rio de Janeiro, e ações para fortalecer o Pão de Açúcar em São Paulo. A estratégia para este último envolve melhorias no atendimento, no setor de hortifruti e na formação técnica das equipes.

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