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Governo Lula debate desacelerar gastos, não cortar, diz especialista

06 de novembro de 2026
Governo Lula debate desacelerar gastos, não cortar, diz especialista

Destaques

  • •Especialista da Eurasia Group afirma que debate interno no governo Lula foca em desacelerar o ritmo de crescimento das despesas públicas, sem cortes de gastos efetivos.
  • •Medidas em discussão incluem taxação de aplicações financeiras e moderação no ritmo de crescimento dos gastos, evitando ajustes impopulares.
  • •Mercado aguarda sinais de controle fiscal para avaliar impacto no câmbio e juros futuros, enquanto o governo busca evitar mensagens contraditórias.

O debate interno no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gira em torno da implementação de medidas para desacelerar o ritmo de crescimento das despesas públicas, e não de cortes de gastos efetivos, segundo Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group. Em entrevista, Garman destacou que investidores estrangeiros e locais observam atentamente os sinais que o governo emitirá sobre o controle fiscal. Ele enfatizou que a discussão não envolve um "corte de gasto", mas sim a adoção de medidas para "reduzir o ritmo do aumento do gasto", que podem variar de propostas mais amenas a emendas constitucionais.

Garman explicou que a economia brasileira enfrenta uma crise de juros elevados, que impacta empresas e famílias endividadas. Há um consenso entre economistas sobre a necessidade de conter as regras de gasto e exercer maior controle fiscal para viabilizar a redução da taxa Selic pelo Banco Central. A natureza do debate fiscal, segundo ele, remete a propostas anteriores de Fernando Haddad, que envolviam mudanças nas regras de indexação de saúde e educação, além de limites no Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Pressões políticas e estratégia econômica

Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília, trouxe informações sobre as pressões políticas internas. Lula tem recebido forte pressão da ala política do Palácio do Planalto para não legitimar o que chamam de "agenda do tesouraço". Essa pressão leva a equipe econômica a evitar termos como "ajuste fiscal", preferindo "racionalização", "pente fino" e "revisões".

Medidas como revisão do aumento real do salário mínimo, desvinculação de aposentadorias e revisão profunda dos pisos constitucionais de saúde e educação estão fora de cogitação. A aposta recai sobre a taxação de aplicações financeiras, como IOF sobre LCI, LCA, CRI e CRA, a eliminação de sobreposição de programas sociais e a moderação no ritmo de crescimento dos gastos.

Riscos e expectativas do mercado

Um risco apontado é a possibilidade de repetir o cenário do final de 2024, quando o governo anunciou medidas de contenção, mas Fernando Haddad precisou, posteriormente, anunciar a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, gerando uma mensagem contraditória ao mercado. Garman avalia que, caso algum sinal de maior controle fiscal seja emitido, pode haver alívio no câmbio e na curva de juros futuros, embora a correção fiscal tenda a ser insuficiente. O "grau dessa insuficiência" é o que está em jogo.

O governo também sancionará nesta sexta-feira (6) o Projeto de Lei de Conversão nº 14/2026, que institui o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Na agenda econômica do dia, o Brasil divulgará dados da balança comercial de outubro, e os Estados Unidos apresentarão dados do mercado de trabalho (payroll e taxa de desemprego).

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