Governo adia decisão sobre Angra 3 e planeja reestruturação do setor nuclear

Destaques
- •Ministro Alexandre Silveira anuncia plano de reestruturação do setor nuclear antes de definir o futuro de Angra 3.
- •Obras de Angra 3 estão paralisadas desde 2015, com 66% concluído e R$ 12 bilhões investidos, necessitando de R$ 23,9 bilhões adicionais para conclusão.
- •TCU deu prazo de 240 dias para o governo decidir sobre Angra 3; nova estratégia nuclear deve ser apresentada como projeto de lei.
O governo federal decidiu adiar a definição sobre a conclusão ou o abandono das obras da usina nuclear de Angra 3. Em vez de atender ao prazo de 240 dias estabelecido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em outubro, o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentará um plano de reestruturação mais amplo para todo o setor nuclear ainda este ano. A informação foi divulgada pelo ministro Alexandre Silveira após reunião do Conselho Nacional de Política Energética.
A intenção é integrar a decisão sobre Angra 3 a uma estratégia abrangente para a Eletronuclear, estatal responsável pela usina, que enfrenta dificuldades financeiras. O ministro já manifestou ser favorável à conclusão da usina, mas a decisão final dependerá dessa nova abordagem.
O futuro de Angra 3 e os custos envolvidos
A construção de Angra 3, iniciada na década de 1980, sofre com sucessivas interrupções e está paralisada desde 2015. Atualmente, cerca de 66% do empreendimento está concluído, com um investimento de aproximadamente R$ 12 bilhões. Um estudo recente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estima que seriam necessários mais R$ 23,9 bilhões para finalizar o projeto.
Enquanto a definição sobre o futuro da usina não é tomada, a manutenção do empreendimento paralisado gera um custo anual de cerca de R$ 1 bilhão, entre despesas operacionais e financeiras. Em setembro de 2026, a Eletronuclear obteve uma suspensão temporária do pagamento de dívidas com o BNDES até o final de 2027, buscando aliviar sua situação financeira.
Estratégia para o setor nuclear
O ministro Alexandre Silveira declarou que a proposta de reestruturação do setor nuclear deve vir na forma de um projeto de lei. Essa iniciativa visa não apenas resolver a questão de Angra 3, mas também abordar os desafios financeiros e operacionais da Eletronuclear, buscando uma solução sustentável a longo prazo.
A decisão de apresentar um plano mais abrangente reflete a complexidade do setor nuclear brasileiro e a necessidade de uma visão estratégica antes de tomar decisões pontuais sobre grandes obras como Angra 3. O governo busca alinhar os investimentos em energia nuclear com a política energética nacional.
Próximos passos e outras iniciativas do MME
A expectativa é que o plano de reestruturação do setor nuclear seja apresentado ainda em 2026. A proposta do MME se soma a outras iniciativas em andamento, como a regulamentação do Redata (Resíduos de Dessorção de Alumínio), a discussão de soluções para transformar resíduos em energia, o avanço no desenho da Estratégia Nacional de Eletromobilidade e a aprovação do Plano de Transição Energética às vésperas da COP31.
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- Ministro promete reforma do setor nuclear ainda este ano · poder360.com.br



