Google desativa 1,3 milhão de dispositivos Android infectados por fraude

Destaques
- •Operação global desativou servidores que controlavam mais de 1,3 milhão de dispositivos Android comprometidos.
- •Fabricante chinesa Videostrong inseriu código malicioso para fraudes de cliques e redirecionamento de internet.
- •Google baniu a empresa e monitora o ecossistema para novas infraestruturas criminosas.
Uma operação conjunta de cibersegurança, liderada pelo Google Threat Intelligence Group e com participação de empresas como Plume e TrendAI, desativou servidores que controlavam mais de 1,3 milhão de dispositivos Android comprometidos globalmente. A ação desarticulou uma infraestrutura usada para fraudes de cliques e redirecionamento de conexões de internet sem o consentimento dos usuários, afetando predominantemente caixas de televisão para streaming.
A investigação revelou que a fabricante chinesa Videostrong inseriu intencionalmente um código malicioso nos produtos. O componente de gerenciamento oculto, chamado “x.cpe”, permitia burlar testes de segurança, manter acesso privilegiado e instalar aplicativos maliciosos silenciosamente. Os aparelhos infectados, que incluíam modelos de marcas como MECOOL, equipamentos de telessaúde e karaokês digitais, transformavam residências em ferramentas para ocultar a identidade de cibercriminosos e distribuir conteúdo.
Escala global e impacto no Brasil
O esquema criminoso atingiu mais de 170 países, com forte concentração no Brasil, México, Iraque e Taiwan. Os aparelhos infectados consumiam banda larga e recursos de hardware dos proprietários sem aviso. Os atacantes utilizavam o tráfego residencial para simular acessos locais legítimos, facilitando fraudes financeiras e o burlamento de sistemas de segurança baseados em reputação de endereços IP.
O vice-presidente de laboratórios de segurança da Plume, Robert Neumann, alertou sobre os riscos ocultos em hardwares de baixo custo. "Os consumidores devem evitar caixas de Android TV sem marca ou não certificadas e aplicativos que pagam por largura de banda compartilhada", declarou.
Medidas e próximos passos
Como resposta, o Google cortou relações comerciais com a Videostrong e baniu a empresa e suas subsidiárias de produzir ou comercializar dispositivos Android certificados. As autoridades e empresas parceiras continuam monitorando o ecossistema para identificar tentativas de migração dos operadores para novas infraestruturas de controle.
A chefe-executiva de proteção de conteúdo da Motion Picture Association (MPA), Larissa Knapp, ressaltou que o baixo custo de certos aparelhos esconde riscos severos de segurança. "Os consumidores devem comprar dispositivos conectados, como set-top boxes, apenas de fabricantes respeitados", pontuou.
Embora a interrupção dos servidores centrais tenha cortado o acesso imediato dos criminosos, os códigos maliciosos permanecem nos aparelhos. Especialistas reforçam que a limpeza definitiva exige ações profundas dos fabricantes ou a substituição física dos equipamentos. A indústria tecnológica afirma que a cooperação internacional continuará sendo a principal ferramenta para combater o abuso de hardwares domésticos.



