Goldman Sachs vê oportunidade no varejo brasileiro após queda de ações

Destaques
- •Goldman Sachs aponta que ações do varejo brasileiro negociam com múltiplos abaixo dos últimos dois anos após queda de 33% desde o segundo turno das eleições.
- •Banco mantém recomendação de compra para Mercado Livre, RD Saúde, Assaí e Smart Fit, citando crescimento estrutural e valuation atrativo.
- •Juros elevados e ciclo de afrouxamento monetário mais lento são apontados como principais riscos para o setor.
O Goldman Sachs avalia que a forte correção nas ações do varejo brasileiro, que acumulam queda média de 33% desde o segundo turno das eleições presidenciais, abriu oportunidades seletivas no setor. Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o banco destaca que o desempenho dos papéis de varejo foi significativamente inferior ao recuo de 14% do Ibovespa no mesmo período.
Para os analistas, o movimento recente levou diversas empresas a negociar com múltiplos de preço/lucro significativamente abaixo dos observados nos últimos dois anos. Atualmente, o setor negocia a uma mediana de 7,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, em comparação com 10,9 vezes em períodos anteriores com taxas de juros reais entre 7% e 8%.
Empresas com recomendação de compra
Diante desse cenário, o banco mantém recomendação de compra para Mercado Livre (BDR: MELI34), RD Saúde (RADL3), Assaí (ASAI3) e Smart Fit (SMFT3). Essas empresas, na visão dos analistas, combinam crescimento estrutural, resiliência operacional e valuation atrativo.
O Goldman Sachs estabeleceu preços-alvo para as ações: US$ 2.230 para o Mercado Livre (Nasdaq), R$ 26 para RD Saúde (RADL3), R$ 13,50 para Assaí (ASAI3) e R$ 38 para Smart Fit (SMFT3).
Destaques individuais e fundamentos
O Mercado Livre é destacado por estar bem posicionado para capturar o avanço do comércio eletrônico na América Latina, graças à sua escala, rede logística e ecossistema financeiro. O banco projeta crescimento médio anual de 45% do lucro por ação entre 2027 e 2029, com uma inflexão relevante nos resultados a partir do próximo ano.
Entre as empresas domésticas, a RD Saúde, dona da Raia Drogasil, é mencionada pela demanda considerada pouco sensível ao ciclo econômico, ganho consistente de participação de mercado e exposição a tendências estruturais, como o envelhecimento da população. A ação negocia a cerca de 14,7 vezes o lucro estimado para 2027.
O Assaí, apesar de mais sensível aos juros devido à alavancagem, pode se beneficiar da aceleração da inflação de alimentos, que tende a impulsionar vendas do atacarejo. O papel negocia a 8,6 vezes o lucro esperado para 2027, abaixo da média histórica de 11 vezes.
A Smart Fit apresenta maior previsibilidade de resultados, sustentada pela expansão da rede e maturação das academias. Mesmo com a deterioração do cenário macroeconômico, a projeção de lucro para 2027 permanece acima daquela prevista quando a cobertura da empresa foi iniciada em 2024.
Riscos e perspectivas futuras
O Goldman Sachs ressalta que suas estimativas consideram uma taxa Selic média de 12,7% em 2027, com queda gradual. Um ciclo mais lento de afrouxamento monetário, porém, poderia pressionar empresas mais alavancadas, como Magazine Luiza (MGLU3) e Assaí.
Apesar das incertezas de curto prazo, os analistas argumentam que a forte desvalorização recente já incorporou boa parte dos riscos macroeconômicos e políticos. Isso cria oportunidades para investidores que priorizam empresas com fundamentos sólidos e capacidade de crescimento, mesmo em um ambiente de juros elevados.



