GM usa IA para reduzir tempo de desenvolvimento de veículos para dois anos

Destaques
- •A General Motors busca acelerar o desenvolvimento de novos carros, visando um ciclo de dois anos, impulsionada pela inteligência artificial.
- •A montadora utiliza IA para otimizar a pesquisa de materiais para baterias e para consolidar a eletrônica dos veículos em um único computador central.
- •A nova tecnologia de assistência ao motorista, que permite tirar os olhos da estrada em rodovias, está prevista para chegar em 2028, começando pelo Cadillac Escalade IQ.
A General Motors (GM) anunciou planos ambiciosos para reduzir pela metade o tempo de desenvolvimento de novos veículos, com o objetivo de concluir o processo em apenas dois anos. A montadora americana aposta no uso intensivo de inteligência artificial (IA) para competir com a agilidade de fabricantes chinesas, que têm demonstrado capacidade de lançar modelos em ciclos de desenvolvimento mais curtos.
A estratégia da GM visa não apenas acelerar o lançamento de novos carros, mas também aprimorar a qualidade e reduzir custos. Segundo Sterling Anderson, diretor de produtos da GM, a capacidade de realizar iterações mais rápidas resulta em produtos melhores, desenvolvidos com maior velocidade e menor custo. A empresa busca, com isso, acompanhar a pressão competitiva de fabricantes como BYD, Geely e Xiaomi, que têm conquistado mercado global com lançamentos frequentes e tecnologias avançadas.
IA impulsiona inovação em baterias e eletrônica
No desenvolvimento de baterias, a IA tem sido uma ferramenta crucial. Engenheiros da GM utilizaram a tecnologia para analisar cerca de 300 mil combinações de substâncias químicas e componentes. Esse processo, que tradicionalmente levaria anos, é significativamente acelerado pela IA, permitindo a descoberta de novas formulações para baterias mais baratas e eficientes. Este avanço é particularmente importante para a GM, que busca aumentar sua participação no mercado de veículos elétricos, onde atualmente detém menos de 10% das vendas nos EUA, atrás de players como a Tesla.
Além das baterias, a GM está reformulando a arquitetura eletrônica de seus veículos. A proposta é substituir os múltiplos processadores que controlam funções distintas (motor, chassi, assistência ao motorista) por um único computador centralizado. Essa consolidação promete reduzir a quantidade de componentes e fios, diminuindo custos e a vulnerabilidade a gargalos no fornecimento de chips, um problema que afetou a indústria durante a pandemia de Covid-19. A Tesla e fabricantes chinesas já adotam modelos semelhantes.
Novas tecnologias e desafios no mercado de elétricos
A nova arquitetura eletrônica centralizada servirá de base para sistemas de assistência ao motorista mais sofisticados. A GM planeja introduzir, até 2028, uma tecnologia que permitirá ao motorista tirar os olhos da estrada em rodovias com barreiras físicas. O SUV elétrico Cadillac Escalade IQ será o primeiro modelo a receber essa inovação, com planos de expansão para outros veículos da marca posteriormente.
Apesar dos avanços tecnológicos, a expansão dos veículos elétricos nos Estados Unidos enfrenta obstáculos. A GM, por exemplo, reduziu investimentos no segmento após o fim de créditos fiscais federais para compradores e a flexibilização das regras de economia de combustível. A presidente-executiva da companhia, Mary T. Barra, reconhece que os elétricos se tornarão dominantes com a queda de preços e o avanço tecnológico, e a GM busca se posicionar estrategicamente para essa transição.
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