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Gargalos na produção de aviões limitam expansão de companhias aéreas globais

27 de outubro de 2026
Gargalos na produção de aviões limitam expansão de companhias aéreas globais

Destaques

  • •Indústria aeronáutica enfrenta escassez de aeronaves devido a atrasos na produção e na cadeia de suprimentos.
  • •Atrasos na entrega de aviões geram custos adicionais de US$ 11,3 bilhões para companhias aéreas em 2025.
  • •Normalização da produção de aeronaves é esperada apenas entre 2031 e 2034.

A indústria aeronáutica global enfrenta um paradoxo: a demanda por aviões nunca foi tão alta, com carteiras de pedidos que garantem produção por mais de uma década para fabricantes como Airbus e Boeing, e a brasileira Embraer registrando recordes. No entanto, companhias aéreas de todo o mundo sofrem com a escassez de aeronaves, o que limita seus planos de expansão, eleva custos e dificulta a renovação de frotas. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) estima que a indústria deixou de entregar cerca de 5.300 aeronaves desde 2019.

O desequilíbrio entre oferta e demanda não é recente, tendo se agravado com a pandemia, a paralisação de fábricas e a desorganização das cadeias produtivas. Problemas técnicos, falta de componentes e escassez de mão de obra especializada persistem, mesmo com a recuperação industrial. Para companhias aéreas, que precisam encomendar aviões com anos de antecedência, essa situação impacta diretamente a capacidade de operar novas rotas e renovar frotas.

Atrasos na cadeia de suprimentos e produção

A produção de um avião comercial envolve milhões de componentes de uma vasta rede de fornecedores. Atrasos em qualquer etapa dessa cadeia podem comprometer a entrega final. Segundo Roberto Chaves, vice-presidente de Supply Chain da Embraer, a capacidade da cadeia de fornecedores não acompanha a forte demanda da indústria.

A escassez de mão de obra especializada na Europa e a necessidade de investimentos em máquinas e instalações por parte dos fornecedores são obstáculos. A perda de confiança de empresas menores nas projeções da indústria, após previsões de produção que não se concretizaram, também contribui para o cenário. A Embraer busca mitigar isso compartilhando projeções de demanda e acompanhando a capacidade de seus fornecedores.

A concentração de fornecedores em peças críticas e a necessidade de um acompanhamento mais próximo de riscos geopolíticos, restrições à exportação e imprevistos industriais também geram interrupções. A Embraer espera uma produção mais regular a partir de 2027, com a redução do número de fornecedores críticos.

Motores e certificação: gargalos adicionais

Os motores, especialmente os de nova geração, são um ponto central nos atrasos. Embora ofereçam maior eficiência de combustível, alguns modelos têm apresentado problemas de durabilidade, exigindo revisões antes do previsto. Isso resulta na falta de motores para novas aeronaves e na escassez de peças e capacidade de manutenção para as já em operação.

Willie Walsh, ex-diretor-geral da Iata, criticou a lentidão dos fabricantes de motores em acelerar reparos e melhorar o desempenho, enquanto as companhias aéreas enfrentam custos crescentes. A certificação de novos modelos também contribui para os atrasos. A certificação definitiva do Boeing 737 MAX 10 pela FAA, por exemplo, ocorreu seis anos após o previsto, permitindo à Gol receber suas 30 unidades, mas a Airbus ampliou sua participação no segmento com o A321neo.

Custos e perspectivas futuras

O impacto desses gargalos nos resultados das empresas de aviação é significativo. Um estudo da Iata e Oliver Wyman estima que os problemas na cadeia aeronáutica geraram US$ 11,3 bilhões em custos adicionais para as companhias aéreas em 2025. Deste total, US$ 4,2 bilhões referem-se a consumo extra de combustível por manter aeronaves mais antigas, US$ 3,1 bilhões a gastos com manutenção, US$ 2,6 bilhões ao aluguel de motores e US$ 1,4 bilhão a estoques adicionais de peças.

A idade média das aeronaves comerciais em operação atingiu um recorde de 15,2 anos em 2026, comprometendo ganhos de eficiência ambiental. A demanda por aviões deve continuar crescendo, com a frota mundial passando de 30 mil para mais de 41 mil aeronaves até 2036. No Brasil, o tráfego aéreo pode dobrar nas próximas duas décadas. Contudo, a Iata estima que a normalização da relação entre demanda e capacidade de produção só ocorrerá entre 2031 e 2034, com um aumento gradual da produção para compensar os pedidos acumulados e os anos de menor entrega.

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