FS e Mubadala buscam comprar dívidas da Raízen em reestruturação

Destaques
- •Produtora de biocombustíveis FS e fundo soberano Mubadala negociam aquisição de dívidas da Raízen.
- •A Raízen está em processo de reestruturação de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, com potencial conversão em ações.
- •O IG4 Capital também manifestou interesse em créditos específicos da divisão de açúcar e etanol da Raízen.
A produtora brasileira de biocombustíveis FS e o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, estão em negociações para adquirir dívidas da Raízen que estão em posse de credores. O objetivo é comprar esses créditos antes que sejam convertidos em ações da companhia, segundo informações de pessoas familiarizadas com o assunto. A FS contratou o Morgan Stanley para assessorá-la nas potenciais aquisições.
As conversas ainda estão em estágio inicial e não há garantia de que resultarão em uma transação. A potencial compra de dívidas ocorre em meio a uma ampla reestruturação da Raízen, uma das maiores do setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis no Brasil. Em março, a empresa, controlada pela Shell e pela Cosan, chegou a um acordo com credores para reestruturar extrajudicialmente cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.
O que está em jogo na reestruturação da Raízen
Os problemas financeiros da Raízen se agravaram no início deste ano, com a deterioração de sua posição de caixa e a queda acentuada no valor de seus títulos de dívida, após uma série de rebaixamentos de rating. A companhia tem enfrentado dificuldades decorrentes de decisões estratégicas consideradas malsucedidas, juros elevados por longos períodos e safras de cana-de-açúcar menos produtivas.
Como parte do plano de reestruturação, os credores concordaram com a conversão de parte da dívida em ações, o que lhes dará mais de 80% do capital da companhia. A Raízen também tem buscado vender ativos para reduzir sua alavancagem, com algum sucesso, mas ainda de forma insuficiente para cobrir o volume total de suas obrigações.
Outros interessados e o perfil dos compradores
O fundo IG4 Capital, que em junho havia demonstrado interesse em adquirir dívida suficiente para obter o controle da Raízen, agora foca em créditos vinculados especificamente à divisão de açúcar e etanol da empresa. A FS, por sua vez, é uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil, com origem em Mato Grosso. Recentemente, em julho, a trading agrícola Amaggi adquiriu uma participação de 40% na FS, com um aporte de capital de US$ 100 milhões.
Morgan Stanley, IG4, FS e Raízen não comentaram as informações. A complexidade da reestruturação e o interesse de múltiplos players indicam um movimento estratégico para influenciar o futuro da companhia e seus ativos.



