França: Protestos contra custo de vida terminam em confrontos e 560 prisões

Destaques
- •Manifestações em toda a França contra o custo de vida e precariedade de serviços públicos resultaram em confrontos e mais de 560 prisões.
- •A participação foi menor que nas semanas anteriores, mas grupos radicais tentaram causar distúrbios e saques, sendo contidos pelas forças de segurança.
- •O governo Macron enfrenta pressão econômica e política, com a dívida pública próxima a 120% do PIB e a proximidade das eleições presidenciais.
Confrontos eclodiram em Paris e outras cidades francesas ao final de manifestações contra o custo de vida e a precariedade dos serviços públicos. As autoridades mobilizaram um grande contingente policial para evitar a repetição dos distúrbios e saques que ocorreram há duas semanas. As forças de segurança dispersaram pequenos grupos de agitadores com gás lacrimogêneo em Lyon e Toulouse, e houve tensões em Marselha. O Ministério do Interior informou que elementos radicais tentaram se separar das marchas em diversas cidades com a intenção de causar danos e saques, mas foram impedidos.
Adesão e confrontos
A polícia de choque avançou para dispersar grupos em Paris, e o gás lacrimogêneo foi utilizado em Lyon e Toulouse. Em Marselha, também houve tensões. O Ministério do Interior registrou mais de 560 prisões em todo o país. A participação foi menor do que nos dois sábados anteriores, com 320 mil manifestantes em todo o país, incluindo 70 mil em Paris, segundo o governo. As autoridades alertaram que máscaras de Halloween poderiam ser usadas para ocultar a identidade de causadores de distúrbios.
Motivações e contexto político
As marchas reuniram estudantes, sindicatos e manifestantes dos Coletes Amarelos, unidos por reclamações sobre o custo de vida, altos preços de combustíveis, aumento da inflação e a gestão do presidente Emmanuel Macron. Os protestos começaram em setembro, com estudantes insatisfeitos com a deterioração das escolas e o sistema de admissão universitária, e ganharam o apoio de sindicatos e outros grupos críticos ao governo.
Impacto econômico e próximos passos
A agitação ocorre em um momento delicado para o governo francês. Na véspera dos protestos, a agência de classificação de risco Fitch revisou para negativa a perspectiva da dívida francesa, ampliando as preocupações dos investidores com as finanças do país. Com a dívida pública se aproximando de 120% do PIB e os custos de empréstimo em alta, o governo enfrenta pressão crescente para conter gastos. Os distúrbios das semanas anteriores causaram prejuízos estimados pela Câmara de Comércio em mais de 1 bilhão de euros para o varejo. As manifestações na França inspiraram protestos em outros países europeus, como Alemanha e Itália.
Matérias originais
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