França proíbe protestos não organizados por sindicatos após distúrbios

Destaques
- •Presidente Macron anuncia proibição de manifestações consideradas 'ilegítimas' para conter violência urbana.
- •Governo francês promete 'firmeza' e reforço policial para evitar novos atos de vandalismo e saques.
- •Próximos protestos, especialmente os não organizados por sindicatos, serão barrados; trajetos alternativos serão oferecidos para manifestações legítimas.
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) a proibição de ações de protesto avaliadas como “ilegítimas” nos próximos dias. A medida visa conter a onda de violência e distúrbios que assolaram o país no último fim de semana, com saques e depredações em cerca de 3 mil lojas. A decisão foi tomada após uma reunião com representantes dos serviços de informações e ministros, em Paris.
Macron classificou grupos de extrema-esquerda como “sediciosos” e de “ultraesquerda de extrema periculosidade”, acusando-os de incitar atos de rebelião e de pretender “derrubar a República”. O objetivo do governo é proteger estabelecimentos comerciais e edifícios públicos, buscando restabelecer a calma após os confrontos urbanos de 17 de outubro, que foram os piores em décadas.
Firmeza contra a violência
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, apelou aos partidos para que escolham “entre a violência e a República”, isolando nas críticas o partido de extrema-esquerda A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. Lecornu prometeu “transparência” sobre as dificuldades encontradas na resposta aos acontecimentos de sábado.
A preocupação com a segurança é máxima entre os comerciantes. Pierre Bosche, presidente da Confederação dos Comerciantes da França, resumiu o temor com a proximidade de novas mobilizações. Em resposta, as autoridades prometem um dispositivo policial em larga escala para o próximo sábado (24), com recurso a veículos blindados e unidades de elite.
Protestos legítimos e alternativos
Para manifestações organizadas por estruturas como sindicatos, serão definidos trajetos alternativos. “Qualquer pedido para realizar manifestações ou reuniões — especialmente aqueles feitos por indivíduos ou grupos sem legitimidade para isso — será proibido”, afirmou Macron. A prioridade, segundo ele, é o retorno à calma.
O principal sindicato estudantil da França, a UNEF, convocou novas manifestações para sábado, enquanto a CGT, uma das maiores centrais sindicais, confirmou participação. As autoridades francesas impuseram toques de recolher localizados em algumas cidades ao longo desta semana, após enfrentarem críticas por não terem previsto a dimensão da violência.
Matérias originais
- Governo francês anuncia proibição de protestos considerados ilegítimos · agenciabrasil.ebc.com.br
- Macron proíbe realização de protestos não sindicais na França · cnnbrasil.com.br


