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França: Governo anuncia R$ 30 bilhões para educação e reforma do sistema de acesso à universidade

27 de outubro de 2026
França: Governo anuncia R$ 30 bilhões para educação e reforma do sistema de acesso à universidade

Destaques

  • •Governo francês anuncia pacote de € 5 bilhões (R$ 30 bilhões) para renovação de escolas e universidades e reforma do sistema de acesso ao ensino superior.
  • •Medidas incluem a criação de 15 mil vagas adicionais e a reforma do Parcoursup, plataforma de candidaturas universitárias criticada por falta de transparência.
  • •Estudantes consideram os anúncios um avanço, mas mantêm mobilização e greves previstas para o fim de outubro e início de novembro.

O governo francês anunciou nesta segunda-feira (26/10) um pacote de medidas para tentar conter a crise que se espalhou por escolas de ensino médio e universidades. Em reunião em Matignon, sede do governo, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu prometeu reformar o Parcoursup, sistema de acesso à universidade, criar 15 mil vagas no ensino superior e investir € 5 bilhões (R$ 30 bilhões) na renovação de escolas e universidades.

Os estudantes consideraram os anúncios um primeiro avanço, mas avisaram que a mobilização continuará. "Podemos ver o copo meio cheio ou meio vazio. Nem tudo foi atendido e iremos até o fim", afirmou Louis Letoublon, vice-presidente da organização Les Lycéens. Ele convocou os estudantes para manifestações previstas para 31 de outubro e 5 de novembro.

Reforma do Parcoursup em duas etapas

Criado em 2018, o Parcoursup é a plataforma nacional pela qual os estudantes franceses se candidatam a cursos de ensino superior. As instituições analisam os pedidos segundo seus próprios critérios e fazem propostas de admissão aos candidatos. Os estudantes questionam a falta de transparência sobre os critérios utilizados pelas instituições e sobre os algoritmos que participam do processo de seleção, tornando a plataforma um símbolo das dificuldades de acesso ao ensino superior.

O governo pretende reformar o Parcoursup em duas etapas. Para 2027, a intenção é tornar mais claros os mecanismos e algoritmos utilizados localmente pelas instituições. Depois, está prevista uma reforma mais profunda para 2028, que deverá exigir uma mudança na legislação. "Sobre o Parcoursup, ficamos satisfeitos. É um primeiro avanço", afirmou Nathanaël Combary, presidente do conselho de administração da organização Renouveau lycéen.

O tema será levado à Assembleia Nacional na quarta-feira, às 17h, para um debate sem votação sobre o futuro do sistema de orientação e distribuição de vagas. O deputado Manuel Bompard, do partido A França Insubmissa, defende que a discussão seja seguida de uma votação para evitar que seja apenas um exercício de "enfumage", termo francês para a criação da impressão de que algo está sendo feito sem resultado concreto.

Investimento de R$ 30 bilhões na infraestrutura educacional

Além da reforma do Parcoursup, os representantes dos estudantes obtiveram a promessa de um plano de € 5 bilhões (R$ 30 bilhões) para a renovação de escolas e universidades. Desse total, € 1 bilhão (R$ 6 bilhões) será destinado às universidades e € 4 bilhões (R$ 24 bilhões) aos colégios e liceus, por meio de empréstimos do Estado às regiões.

O governo também se comprometeu a cancelar cortes de postos de trabalho previstos e a criar 500 postos adicionais para o início do novo ano letivo. Outra medida anunciada é limitar a 28 o número de alunos por turma do segundo ano do ensino médio até o início do ano letivo de 2028. No ensino superior, o governo prometeu ainda 15 mil vagas adicionais: 10 mil em cursos de BTS (formação profissionalizante de nível superior), 4 mil em IUT (institutos universitários de tecnologia) e mil em cursos da área de saúde.

Mobilização estudantil continua e universidades resistem à extinção do Parcoursup

As medidas anunciadas, porém, não foram suficientes para encerrar os protestos. A Union étudiante, a Fage, a Unef e a Union syndicale lycéenne reivindicam dez medidas principais, avaliadas em € 10 bilhões (R$ 60 bilhões), incluindo o fim da seleção nas universidades e a criação de 250 mil vagas no ensino superior.

O governo enfrenta uma margem de manobra financeira limitada, com a dívida pública francesa equivalente a 119% do PIB. Algumas das medidas anunciadas poderão ser incorporadas ao projeto de orçamento para 2027 por meio de emendas.

A ideia de simplesmente acabar com o Parcoursup também encontra resistência entre os dirigentes universitários. A France Universités, que reúne 117 instituições, alertou que a supressão da plataforma provocaria uma "catástrofe a curto prazo". Para as universidades, o problema não é o Parcoursup, mas a redução de recursos destinados ao ensino superior, que aumentou a pressão sobre o sistema de admissão.

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