FMI: IA pode afetar 40% dos empregos globais em 3-5 anos; dívida pública preocupa

Destaques
- •Diretora do FMI alerta que IA pode impactar 40% dos empregos globais em curto prazo, exigindo novas habilidades.
- •Preocupação com a dívida pública global, que se aproxima de 100% do PIB, demanda disciplina fiscal e cortes de gastos.
- •O FMI estuda os impactos da IA no mercado de trabalho e produtividade, enquanto a dívida global exige atenção imediata.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou que os riscos da inteligência artificial (IA) podem superar seus benefícios, comparando o avanço da tecnologia a um "lento tsunami" que afetará cerca de 40% dos empregos na economia mundial em um período curto de três a cinco anos. Em um evento do Santander, Georgieva destacou que empresas serão redefinidas ou eliminadas, e que as pessoas precisarão adquirir novas habilidades para se adaptar. Em países desenvolvidos, o impacto no trabalho pode chegar a 60%.
O FMI está conduzindo estudos para aprofundar a análise sobre os impactos da IA no trabalho e na produtividade. Por outro lado, a IA também tem impulsionado um boom de investimentos circulares, onde empresas investem umas nas outras, formando uma cadeia produtiva.
Dívida pública global em patamar histórico
Georgieva também expressou preocupação com a resiliência da economia mundial diante do aumento da dívida pública global, que se aproxima de 100% do Produto Interno Bruto (PIB). O custo de refinanciamento dessa dívida tem aumentado, tornando necessárias medidas de austeridade fiscal urgentes por parte dos governos.
"O crescimento por si só não vai nos tirar da trajetória de alta da dívida pública; é preciso disciplina fiscal", afirmou a dirigente. O FMI projeta que a relação dívida/PIB global alcance 100% em 2029, um nível não visto desde a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, a média global está entre 95% e 96%, com países desenvolvidos como Estados Unidos (120%) e França (113%) já ultrapassando a marca de 100%.
Recomendações para conter o endividamento
As recomendações básicas para reduzir a dívida pública envolvem crescer mais e cortar gastos. No entanto, Georgieva ressaltou que, na conjuntura atual, o crescimento isoladamente não será suficiente para resolver o problema do endividamento. "Não sou grande confiante de que o crescimento pode nos tirar do buraco da dívida por si só. Portanto, isso exigiria também medidas fiscais, basicamente, e quanto mais cedo a ação for tomada, melhor."
O custo do serviço da dívida, influenciado pela inflação e pelo aumento das taxas de juros, está se tornando "sufocante" para os governos, impactando negativamente negócios e famílias. Georgieva citou a Irlanda, Portugal e Grécia como exemplos de países que aprenderam "da forma mais dura" a importância da disciplina fiscal.
Perspectivas e desafios econômicos
A projeção é de que os preços de energia e alimentos continuem em alta, exercendo pressão sobre os rendimentos. Nesse cenário, a sabedoria dos governos em proteger suas populações dos custos excessivos do serviço da dívida é fundamental. A economia mundial tem enfrentado choques dramáticos, e os governos têm aumentado seus gastos com defesa e demandas sociais.
Georgieva observou que os países que têm se destacado economicamente são aqueles mais intensos no uso de inteligência artificial.



