FMI e OCDE alertam: IA pode aumentar desigualdade global sem acesso a energia e infraestrutura

Destaques
- •Inteligência artificial tem potencial para impulsionar o crescimento global, mas risco de exclusão para países pobres, empresas menores e trabalhadores jovens é alto.
- •Adoção eficaz da IA pode adicionar até 0,5% ao crescimento global anual, mas dados de produtividade ainda são baixos e 40% dos empregos podem ser expostos à tecnologia.
- •Melhorias no acesso à energia, infraestrutura digital e capacitação são cruciais para garantir que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos.
A inteligência artificial (IA) promete impulsionar o crescimento econômico global, mas autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertam que países mais pobres, empresas de menor porte e trabalhadores mais jovens correm o risco de serem deixados para trás. A exclusão pode ocorrer caso não haja melhorias significativas no acesso à energia, à infraestrutura digital e à capacitação profissional.
O alerta surge em um momento de investimentos massivos em chips e infraestrutura de IA, que têm sustentado o crescimento global e levado mercados de ações a recordes. No entanto, crescem as preocupações sobre a capacidade das empresas de gerar retornos suficientes sobre esses gastos vultosos, especialmente com o aumento dos custos de empréstimos.
O potencial de crescimento da IA
A adoção eficaz da IA tem o potencial de adicionar até 0,5% ao crescimento global anual no médio prazo, segundo estimativas do FMI. Contudo, a diretora adjunta do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, Era Dabla-Norris, ressalta que os dados agregados sobre produtividade, até o momento, são consideravelmente menores.
A OCDE projeta que a IA possa aumentar o crescimento anual da produtividade em 0,4% a 1,2% em seus países-membros. No entanto, o economista-chefe da organização, Stefano Scarpetta, observa que o uso da tecnologia no ambiente de trabalho ainda está atrás do uso pelo consumidor, com adoção limitada a funções essenciais dos negócios.
Riscos para o mercado de trabalho e trabalhadores
O FMI estima que aproximadamente 40% dos empregos em todo o mundo possam estar expostos à IA, em meio a relatos crescentes de demissões em massa impulsionadas pela tecnologia. Empresas como o Barclays já anunciaram cortes de cerca de 5.000 empregos este ano, citando o uso de tecnologias como IA para reduzir custos e melhorar retornos.
Outras companhias, como o eBay, estariam demitindo 9% de sua força de trabalho, enquanto a Qualcomm planeja cortes globais em uma "redução focada no desempenho". Dabla-Norris aponta que trabalhadores mais jovens e em início de carreira podem ser particularmente vulneráveis, pois a IA pode assumir tarefas que tradicionalmente servem como ponto de partida para a aquisição de experiência profissional.
O caminho para a inclusão digital e econômica
Para que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos e para mitigar os riscos de exclusão, é fundamental que os países em desenvolvimento e as empresas menores tenham acesso facilitado à energia e à infraestrutura digital. Além disso, programas de capacitação e requalificação profissional são essenciais para preparar a força de trabalho para as novas demandas do mercado.
A lacuna entre a exposição à tecnologia e seu uso efetivo precisa ser reduzida. Isso exige políticas públicas e privadas que incentivem a adoção da IA de forma estratégica e inclusiva, garantindo que a revolução tecnológica não aprofunde as desigualdades existentes, mas sim contribua para um desenvolvimento mais equitativo e sustentável.



