Flávio Bolsonaro entra nos EUA com 'parole humanitária' após fuga da Argentina

Destaques
- •Senador Flávio Bolsonaro obteve permissão temporária para entrar nos Estados Unidos após deixar o Brasil sem autorização e passar pela Argentina.
- •O voo que transportou Flávio Bolsonaro e sua família da Argentina para os EUA foi intermediado por um assessor de Donald Trump e custou US$ 150 mil.
- •A entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA ocorre em meio a investigações no Brasil e após o ex-presidente Donald Trump ter questionado a eleição brasileira.
O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, obteve permissão de entrada nos Estados Unidos por meio de um status de "parole humanitária", concedido após sua saída do Brasil e trânsito pela Argentina. A informação foi confirmada por autoridades norte-americanas e pela empresa de aviação que realizou o voo. A entrada ocorre em um momento delicado, com Flávio Bolsonaro sendo investigado no Brasil e seu pai, Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe.
A viagem de Flávio Bolsonaro, sua esposa e duas filhas começou após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenar a entrega de seu passaporte no âmbito de uma investigação da Polícia Federal por suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Poucos minutos após a declaração de vitória de Lula, a ordem judicial foi emitida, o que alguns conservadores apontaram como evidência de motivação política.
Fuga e intermediação de voo
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil por via terrestre, atravessou a fronteira com a Argentina e, de lá, embarcou em um avião fretado pela empresa argentina Baires Fly com destino a Miami, via Equador. O empresário Luis Grande, dono da Baires Fly, revelou à AFP que recebeu US$ 150 mil pelo voo, transferidos de uma conta bancária norte-americana para uma entidade argentina. Ele afirmou que a operação foi intermediada por um corretor de aviação com sede nos EUA, que não conhecia Flávio Bolsonaro previamente.
Segundo relatos, o assessor de Donald Trump, Jason Miller, ajudou a organizar o voo a partir da Argentina. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, teria recomendado a Trump que a entrada do senador fosse permitida, o que o presidente aprovou. Durante o voo, autoridades do Departamento de Estado dos EUA trabalharam para determinar a via legal para a entrada da família, discutindo o assunto com funcionários do Departamento de Segurança Interna. Por fim, foi concedido o "parole humanitária", um status temporário para indivíduos em situações humanitárias urgentes ou de interesse público significativo.
Posicionamento de Trump e oposição brasileira
Apesar de ter questionado a eleição brasileira, declarando que parecia "manipulada", Donald Trump afirmou que se dá bem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não pretende apoiar alegações de Flávio Bolsonaro de ser o líder legítimo do Brasil. A postura do governo Trump sugere relutância em provocar novas crises nas relações com o Brasil. Autoridades norte-americanas e pessoas a par do assunto indicaram que Trump não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio Bolsonaro, embora sua posição possa mudar.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, que ele descreveu em uma carta aberta como "o líder legítimo" do país, foi vista por algumas autoridades brasileiras como um enfraquecimento da oposição conservadora no Congresso. Muitos conservadores no Brasil criticaram a fuga, considerando que seu capital político diminuiu com o autoexílio.
Controvérsia na Argentina
Na Argentina, a viagem de Flávio Bolsonaro gerou controvérsia. A procuradora Paloma Ochoa solicitou medidas preliminares para apurar se funcionários do governo de Javier Milei facilitaram irregularmente a viagem. O governo argentino negou qualquer irregularidade, afirmando ter fornecido os registros de imigração e aeroportuários pertinentes e que não havia alerta da Interpol impedindo a saída de Bolsonaro.



