Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após pedido de apreensão de passaporte

Destaques
- •Senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos após a Polícia Federal solicitar a apreensão de seu passaporte.
- •Ativistas de esquerda espalharam cartazes de "procurado" nos EUA com a foto do senador, acusando-o de diversos crimes, incluindo tentativa de golpe.
- •Investigações apontam para a possível participação de um ex-agente do Mossad na logística da fuga, que teria envolvido múltiplas travessias terrestres e aéreas.
O senador e candidato à Presidência derrotado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos. A saída do país ocorreu dois dias após a derrota nas eleições presidenciais para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e após a Polícia Federal expedir um pedido de apreensão de seu passaporte. Apesar do pedido, o político não é considerado procurado nem foragido, pois não há mandado de prisão contra ele.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil é cercada de especulações e investigações sobre a logística utilizada. Relatos indicam que o senador teria se sentido ameaçado por eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido de apreensão do passaporte foi avalizado pelo ministro logo após a declaração oficial do resultado da eleição presidencial em 25 de outubro de 2026.
Ativistas espalham cartazes de "procurado" nos EUA
Nos Estados Unidos, ativistas de esquerda passaram a divulgar cartazes de "procurado" com a imagem de Flávio Bolsonaro. No material, o senador é acusado de diversos crimes, como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e desvio de verbas públicas. Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos no STF: um sobre possível lavagem de dinheiro e outro sobre o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os ativistas também alegam que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, teria tentado interferir nas eleições brasileiras e auxiliado na fuga de Flávio Bolsonaro. O governo brasileiro já havia expressado preocupação com interferências estrangeiras no processo democrático. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou envolvimento direto do governo norte-americano na fuga, embora Trump tenha autorizado a entrada do congressista no país.
Investigações sobre a logística da fuga
Investigações apontam para a participação de um homem identificado como ex-agente do Mossad, serviço de inteligência de Israel, na fuga do senador. Menachem Booky Halevy estaria em uma van que cruzou a fronteira com a Argentina minutos antes do veículo que teria levado Flávio Bolsonaro e sua família a Puerto Iguazú. Documentos do sistema de imigração argentino e investigações indicam que Flávio utilizou diferentes documentos, incluindo um passaporte italiano, para cruzar a fronteira.
A Polícia Federal investiga se o senador deixou o Brasil em um jatinho ligado a seu amigo e advogado Willer Tomaz, que também é alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro. A defesa de Flávio Bolsonaro, por meio do advogado Frederick Wassef, negou que as informações sobre a viagem sejam oficiais ou confirmadas, classificando o termo "fuga" como falso e desinformação. A defesa afirma que Flávio não responde a processo criminal e que sua viagem não representa fuga.
A saída do senador teria envolvido o uso de um avião Cessna Citation Excel, que partiu de Brasília para San Fernando, na Argentina. De lá, um jatinho Gulfstream G400 teria levado Flávio Bolsonaro, sua mulher, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal para Miami, nos Estados Unidos. A aeronave evitou o espaço aéreo brasileiro em parte do trajeto. A família foi filmada desembarcando do jatinho em Miami.
O que diz a defesa e próximos passos
O advogado Frederick Wassef, em nota, declarou que "nenhuma informação sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro é oficial ou foi confirmada". Ele ressaltou que o senador "não fugiu", não responde a processo criminal, não foi indiciado, não é réu e não possui condenação criminal, tendo sua "ficha limpa". Wassef classificou a informação de fuga como "falsa" e "desinformação (fake news)", afirmando que existe apenas uma apuração em curso envolvendo terceiros, em fase inicial, sem provas ou indícios contra Flávio Bolsonaro.
A defesa também criticou o uso do termo "fuga" como "leviano" e "grave equívoco", especialmente sem informações oficiais ou elementos que sustentem tal afirmação. A viagem de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, onde ele declarou ser "líder do Brasil" em uma carta divulgada anteriormente, continua sendo o foco de atenção, com a expectativa de mais desdobramentos nas investigações e no cenário político.
Matérias originais
- Cartaz de Flávio “procurado” é espalhado nos EUA por ativistas · poder360.com.br
- Ex-agente de Israel é ligado à fuga de Flávio · poder360.com.br



