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Fifa pagará US$ 4 milhões em impostos de Infantino nos EUA

03 de novembro de 2026
Fifa pagará US$ 4 milhões em impostos de Infantino nos EUA

Destaques

  • •Fifa cobrirá cerca de US$ 4 milhões em impostos de seu presidente, Gianni Infantino, durante três anos de base em Miami.
  • •A decisão, tomada em maio de 2024, foi justificada pela necessidade de cobrir impostos de funcionários que se mudaram para os EUA, mas não foi divulgada publicamente.
  • •O caso levanta questões sobre transparência e conflito de interesses na entidade, que enfrenta escrutínio após negociações secretas para direitos da Copa do Mundo.

A Fifa pagará cerca de US$ 4 milhões em impostos ao governo dos Estados Unidos referentes ao período em que seu presidente, Gianni Infantino, permanecerá baseado em Miami. A informação, divulgada pelo jornal The New York Times com base em documentos e fontes com conhecimento direto do caso, indica que o benefício fiscal cobrirá a obrigação tributária de Infantino durante três anos.

A decisão foi tomada em maio de 2024 por um comitê de três integrantes em Bangkok, na Tailândia, mas não foi comunicada publicamente. O valor total pago pela entidade equivale à carga tributária estimada para o presidente da Fifa, que recebe cerca de US$ 6 milhões anuais, conforme o relatório anual da organização.

Benefício fiscal e justificativa

O comitê, presidido pelo suíço Emilio Chiomento, argumentou que a Fifa já arca com os impostos de aproximadamente 12 funcionários que se mudaram para os EUA em preparação para a Copa do Mundo de 2026. Segundo Chiomento, o mesmo critério deveria ser aplicado a Infantino, que se transferiu da Suíça para Miami e enfrentaria uma tributação mais elevada.

Os outros dois membros do comitê concordaram com a proposta, conforme os documentos analisados. No entanto, a isenção fiscal concedida a Infantino não foi registrada nos relatórios públicos da Fifa, o que contraria as regras de transparência adotadas após o escândalo de corrupção que abalou a entidade há uma década.

Conflito de interesses e privilégios

A reportagem aponta que o advogado pessoal de Infantino, Roland Zollinger, teria aconselhado Chiomento durante o processo de decisão sobre a isenção fiscal. A própria equipe administrativa da Fifa identificou um potencial conflito de interesse na atuação de Zollinger, mas a organização continuou a utilizar seus serviços em outras questões que envolviam diretamente seu cliente.

Além disso, Emilio Chiomento também teria recebido benefícios da Fifa. Para a Copa do Mundo de 2026, ele teve acesso a um passe VIP, um privilégio não estendido a outros membros de comitês da entidade. Chiomento pôde assistir a qualquer partida de sua escolha e utilizou voos fretados pela organização entre as cidades-sede, assim como Zollinger e familiares de Infantino.

A remuneração de Chiomento também foi ajustada. Seu salário, originalmente de US$ 250 mil, foi alterado para 250 mil francos suíços, representando um aumento de cerca de US$ 50.000 devido à taxa de câmbio. Os salários dos demais presidentes de comitê permaneceram em dólares.

Posicionamento da Fifa e crise na presidência

Em resposta ao The New York Times, a Fifa declarou que "todos os regulamentos internos e processos, e todas as leis aplicáveis, foram seguidos" e que a entidade "garante o cumprimento de todos os requisitos de reporte e tributação". A organização afirmou ainda que qualquer pagamento à alta direção é auditado de forma independente, mas não detalhou o acordo fiscal com Infantino.

Este episódio ocorre em um momento delicado para Infantino, que enfrenta sua maior crise na presidência da Fifa. Em julho, veio à tona que ele conduziu negociações secretas para vender direitos da Copa do Mundo a uma empresa ligada ao irmão de Jared Kushner, genro do ex-presidente americano Donald Trump. A repercussão internacional gerou questionamentos sobre sua permanência no cargo, enquanto ele se prepara para disputar a reeleição em março de 2027.

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