Fenômeno climático: gustnado causa estragos no Chile e é identificado por meteorologistas

Destaques
- •Redemoinho de vento associado a tempestades, conhecido como gustnado, foi identificado como o causador de danos em Santiago, Chile.
- •O fenômeno, que causou danos em uma rodoviária e em estruturas, foi inicialmente confundido com um tornado de categoria EF0.
- •Gustnados são menos intensos e duradouros que tornados, mas podem causar estragos significativos e também ocorrem no Brasil.
Um fenômeno climático classificado como gustnado foi identificado como o responsável por arrancar parte do telhado de uma rodoviária e causar outros danos em Santiago do Chile, em 13 de outubro. Inicialmente, o evento foi tratado como um possível tornado de categoria EF0, mas análises da Direção Meteorológica do Chile (DMC) levaram a uma nova classificação.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram estruturas metálicas sendo levadas pelo vento e pessoas buscando abrigo, o que reforçou a suspeita de um tornado devido à força das rajadas e ao movimento giratório do ar.
O que é um gustnado?
O gustnado é um redemoinho de vento que se forma próximo ao solo, geralmente associado a tempestades intensas. Seu nome é uma junção das palavras inglesas 'gust' (rajada de vento) e 'tornado', devido à semelhança visual com este último. A formação ocorre quando correntes de ar frio descem de uma nuvem de tempestade e se espalham horizontalmente ao atingir o solo, criando uma frente de rajadas. Diferenças na velocidade e direção dos ventos nessa frente podem favorecer a rotação e a formação do redemoinho.
A principal distinção entre um gustnado e um tornado reside na origem do movimento giratório. Enquanto o tornado tem sua circulação conectada diretamente da base da nuvem de tempestade até o solo, o gustnado se origina mais próximo à superfície, a partir da interação dos ventos de uma frente de rajadas. Ambos os fenômenos podem causar estragos, mas os gustnados tendem a ser menos intensos e de menor duração, durando de segundos a poucos minutos, devido à sua circulação mais superficial e menos organizada.
Análise no Chile e ocorrências no Brasil
A investigação realizada pela DMC no Chile detectou mudanças bruscas de temperatura e pressão atmosférica, além de características de vento compatíveis com uma frente de rajadas. Esses elementos foram cruciais para determinar que o episódio não apresentava a circulação vertical típica de um tornado.
O Brasil também registra a ocorrência de gustnados, especialmente durante as estações de primavera e verão, em meio a tempestades. Um exemplo recente ocorreu em 17 de janeiro de 2023, em Guarapuava (PR), onde um gustnado arrancou telhas de casas e danificou a rede elétrica. Na ocasião, uma meteorologista do Simepar identificou o fenômeno e explicou sua ligação com as correntes descendentes de uma tempestade.
Outro caso notório aconteceu em 17 de setembro de 2022, em Samambaia (DF). Imagens registraram um redemoinho próximo ao solo, que foi posteriormente classificado como um gustnado pela Climatempo.



