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Fed mantém juros nos EUA e mercado de olho em dezembro e Brasil

28 de outubro de 2026
Fed mantém juros nos EUA e mercado de olho em dezembro e Brasil

Destaques

  • •Federal Reserve decide manter a taxa de juros nos EUA, mas sinaliza possível alta em dezembro.
  • •A inflação ao consumidor nos EUA veio acima do esperado, enquanto o payroll mostrou fraqueza.
  • •No Brasil, a alta do dólar após a reeleição de Lula pode levar o Copom a manter a Selic.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dos Estados Unidos decidiu manter a taxa de juros inalterada, em um intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, ocorre em um cenário de inflação ao consumidor acima do previsto em setembro, mas com um relatório de empregos (payroll) mais fraco que o esperado. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava uma probabilidade de 90,6% de manutenção da taxa na véspera da decisão.

Declarações recentes de dirigentes do Federal Reserve (Fed) reforçaram a perspectiva de uma abordagem mais cautelosa em relação a novos aumentos. Relatórios de instituições financeiras como Stifel e Wells Fargo apontam que, apesar da inflação elevada, a maioria dos membros do comitê apoia um ritmo mais lento de ajustes. A moderação no discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em eventos recentes, também contribuiu para reduzir as expectativas de uma alta imediata.

Próximos passos e riscos inflacionários

Apesar da pausa em outubro, a expectativa majoritária entre economistas de bancos como C6 Bank, BofA, ING, Stifel e Goldman Sachs é de uma nova alta de 0,25 ponto porcentual nos juros em dezembro. Fatores como a inflação ainda elevada e a resiliência do mercado de trabalho americano sustentam essa projeção. No entanto, o crescimento robusto da economia dos EUA, impulsionado em parte pela inteligência artificial, é visto como um risco inflacionário que pode exigir mais apertos monetários.

A decisão de manter os juros em outubro pode ter sido influenciada pela proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro. Economistas do Bank of America (BofA) sugerem que o Fed pode ter evitado uma surpresa "hawkish" (tendência a juros mais altos) para não desestabilizar os mercados poucos dias antes da votação.

Divergências e o comunicado pós-decisão

A decisão de outubro não deve ter sido unânime, segundo analistas do ING e Rabobank. Espera-se que alguns membros, como Beth M. Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorie K. Logan (Fed de Dallas), tenham votado a favor de um aumento. O Resumo de Projeções Econômicas do Fed indicou que quatro membros projetavam aumentos de 0,50 ponto porcentual nas taxas até o final do ano.

O comunicado pós-decisão e a entrevista do presidente Warsh devem ser breves, com pouca orientação futura. O Goldman Sachs sugere que o Fomc pode adaptar a linguagem sobre futuros ajustes, indicando que dependerão de dados, perspectivas e riscos. Na semana seguinte à decisão, o Fed receberá dados importantes sobre inflação (PCE) e o PIB do terceiro trimestre.

Impacto no Brasil e a Selic

No Brasil, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a consequente alta do dólar podem levar o Banco Central (BC) a adotar uma postura mais cautelosa em relação à taxa Selic. A desvalorização do real pressiona a inflação, o que pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a interromper o ciclo de cortes da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.

Economistas como Samuel Pessoa, da FGV Ibre, e Milena Landgraf, da Jubarte Capital, avaliam que o Copom deve manter a Selic em 13,75% nas próximas reuniões. A piora na dinâmica da inflação e a desvalorização cambial eliminam o espaço para quedas até o final do ano. A trajetória futura dos juros no Brasil dependerá dos sinais do governo sobre ajuste fiscal e contenção da dívida pública, além de possíveis efeitos de políticas como a reforma tributária.

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