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FDA aprova colírio de fentolamina para tratar presbiopia nos EUA

26 de outubro de 2026
FDA aprova colírio de fentolamina para tratar presbiopia nos EUA

Destaques

  • •Agência regulatória americana autoriza uso de colírio à base de fentolamina para melhorar a visão de perto em pessoas com presbiopia e hipermetropia.
  • •O medicamento atua reduzindo a dilatação da pupila, criando um efeito semelhante ao 'pinhole' para aumentar a profundidade de foco, sem afetar a visão à distância.
  • •A aprovação nos EUA abre caminho para novas alternativas de tratamento, mas ainda não há soluções semelhantes aprovadas no Brasil.

A agência reguladora de saúde dos Estados Unidos, a FDA, aprovou uma nova indicação para um colírio oftamológico à base de fentolamina, visando melhorar a visão de perto em pessoas que sofrem de presbiopia, popularmente conhecida como "vista cansada". A aprovação é destinada a indivíduos com hipermetropia que também desenvolvem a dificuldade de enxergar detalhes próximos ao rosto, condição comum após os 40 anos de idade. Segundo os fabricantes, a solução promete aprimorar a visão de perto sem comprometer a visão à distância.

O mecanismo de ação do colírio de fentolamina difere de outras opções disponíveis, pois ele atua reduzindo a dilatação da pupila sem envolver o músculo ciliar, que é responsável pelo ajuste do foco. Essa abordagem visa minimizar efeitos colaterais indesejados associados a outros tratamentos.

Como o colírio funciona e seus diferenciais

O colírio de fentolamina cria um efeito semelhante ao "pinhole", um teste com pequenos furos que aumenta a profundidade de foco, melhorando a visão de perto. Essa característica é um diferencial importante, especialmente quando comparado a outros colírios como o de pilocarpina. O oftalmologista Gustavo Gameiro, pesquisador do Bascon Palmer Eye Institute, explica que a pilocarpina, já utilizada em alguns casos no Brasil, contrai o músculo ciliar, o que pode levar a dores de cabeça e visão embaçada, além de um risco mais sério de rotura ou descolamento da retina.

A fentolamina, ao não contrair o músculo ciliar, oferece uma alternativa que busca evitar esses efeitos colaterais mais graves. No entanto, o especialista ressalta que o benefício proporcionado por esses colírios é temporário e requer acompanhamento médico.

Estudos clínicos e próximos passos

A aprovação da FDA baseou-se em estudos clínicos que compararam o colírio de fentolamina, isolado ou em combinação com pilocarpina, com uma solução placebo. Após 12 semanas, os estudos demonstraram uma melhora significativa na capacidade e acuidade visual dos participantes. Os efeitos colaterais observados, como irritação ocular e dor de cabeça, foram classificados como leves e transitórios.

Apesar dos resultados positivos, Gustavo Gameiro alerta que os estudos atuais, embora essenciais, possuem limitações para detectar complicações mais raras ou de longo prazo, como problemas na retina. Ele enfatiza que a solução é indicada para pacientes selecionados após avaliação oftalmológica completa, que inclua exames da retina, e que estejam cientes da natureza temporária do benefício e dos potenciais riscos.

A notícia da aprovação nos EUA segue uma tendência de desenvolvimento de novas terapias para a presbiopia, com a FDA já tendo autorizado outros colírios à base de pilocarpina, aceclidina e brimonidina. Por enquanto, o Brasil ainda não conta com soluções oftalmológicas aprovadas oficialmente para essa indicação específica.

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