FBI aponta Coreia do Norte em roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance

Destaques
- •FBI acusa grupo ligado à Coreia do Norte pelo maior roubo de criptomoedas da história, com desvio de US$ 6,3 bilhões da Binance.
- •Ataque à corretora de criptomoedas teria ocorrido após invasão do notebook de um engenheiro, com acesso a chaves privadas de carteiras.
- •Investigação aponta para o grupo TraderTraitor, já associado a ataques cibernéticos patrocinados pelo regime norte-coreano.
O FBI, agência federal de investigação dos Estados Unidos, apontou a Coreia do Norte como responsável pelo ataque cibernético que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões) da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo. O incidente, ocorrido em novembro de 2023, é considerado o maior roubo de criptomoedas já registrado.
A investigação inicial da Binance sugere que o ponto de entrada para o ataque foi a invasão do notebook de um de seus engenheiros. Este acesso teria permitido aos criminosos acessar sistemas da corretora e realizar saques não autorizados de suas carteiras de criptomoedas. A TRM Labs, empresa de análise de blockchain, declarou ter "alta confiança" de que o grupo TraderTraitor, com ligações com a Coreia do Norte, foi o autor do ataque, com base em "informações robustas dentro e fora da blockchain".
O ataque à Binance e a atuação do TraderTraitor
Segundo a Binance, a equipe de segurança rastreou o ataque através do computador comprometido, que teria sido o ponto de entrada. A empresa informou ter identificado outros pontos de invasão posteriormente. Mark Karpeles, ex-chefe da corretora Mt Gox, que sofreu um roubo de US$ 500 milhões em bitcoin há 12 anos, explicou que os invasores provavelmente acessaram as chaves privadas de pelo menos duas carteiras da Binance. Ele ressaltou que, apesar de a Binance dividir seus ativos em vários sistemas, um único ataque ainda representa uma perda significativa.
O grupo TraderTraitor já é conhecido por outros ataques cibernéticos e é frequentemente associado a atividades patrocinadas pelo regime norte-coreano. A conversão dos valores roubados para criptomoedas facilita a transferência dos fundos entre países, tornando a rastreabilidade mais complexa para as autoridades.
Ataques simultâneos e o papel da IA
O roubo na Binance ocorreu em um intervalo de poucos dias após um ataque similar ao banco francês Crédit Mutuel Arkéa, onde foram desviados cerca de 100 milhões de euros (R$ 615 milhões). No caso do banco, os hackers roubaram recursos financeiros que foram rapidamente convertidos em criptomoedas. O Crédit Mutuel Arkéa informou que as contas de seus clientes não foram invadidas e que eles não sofreram prejuízos diretos.
Especialistas em tecnologia, como Arthur Igreja, alertam para a crescente especialização de hackers e o potencial uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) para potencializar a atuação criminosa. A IA pode ser utilizada para identificar fragilidades em sistemas, automatizar tarefas e acelerar a execução de ataques. No entanto, Igreja ressalta que a IA é uma ferramenta utilizada pelos hackers e não que a tecnologia age por conta própria.
Implicações e próximos passos
A capacidade de realizar ataques cibernéticos à distância, de qualquer lugar do mundo, é um dos aspectos mais preocupantes, segundo Igreja. A exploração de fragilidades em sistemas financeiros e de tecnologia é uma constante ameaça. A investigação do FBI e de outras agências internacionais busca não apenas identificar os responsáveis, mas também recuperar os fundos desviados e fortalecer as defesas contra futuros ataques.
A Binance, por sua vez, tem trabalhado em conjunto com as autoridades para rastrear os fundos e mitigar os danos. A corretora ainda não divulgou detalhes sobre os próximos passos para compensar os usuários afetados ou para reforçar suas medidas de segurança.

