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Falha no Smart Sampa expõe 17 mil câmeras de segurança em São Paulo

03 de novembro de 2026
Falha no Smart Sampa expõe 17 mil câmeras de segurança em São Paulo

Destaques

  • •Segunda brecha de segurança em menos de um mês afeta o sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo.
  • •A falha permitiu o acesso indevido a imagens de 17 mil câmeras, incluindo residências de autoridades.
  • •Prefeitura investiga o caso e afirma que não há sinais de ataque ao sistema, mas sim ato criminoso.

Uma nova falha de segurança no sistema de monitoramento Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, permitiu o acesso indevido a 17 mil câmeras de segurança. A notícia surge menos de um mês após outra brecha expor 58 mil câmeras, levantando sérias preocupações sobre a proteção de dados na capital paulista.

A reportagem do UOL teve acesso a imagens hospedadas na empresa de nuvem Monuv por cinco dias. Os links comprometidos permitiam o acompanhamento em tempo real de ruas e locais privados, incluindo residências de autoridades como o ministro do STF Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso. Os links foram removidos após a denúncia.

Por que o erro aconteceu de novo?

A mais recente brecha é atribuída a uma falha no código-fonte da Sentinelx, empresa responsável pela plataforma tecnológica do Smart Sampa. Arquivos disponíveis na web expuseram endereços de serviços que, por sua vez, permitiam o acesso a cadastros e aos links das transmissões das câmeras.

Especialistas apontam que falhas básicas de segurança foram negligenciadas. A falta de autenticação em múltiplos fatores e a segregação inadequada de ambientes são citadas como problemas críticos. Uma única conta com autenticação segura poderia ter acesso irrestrito a todas as câmeras e dados sensíveis, como rostos e placas de veículos.

Medidas de segurança e privacidade

A especialista Rafaela Silva, da Genetec, sugere que as plataformas deveriam implementar camadas de privacidade para borrar rostos em situações de acesso irrestrito. A máscara de privacidade é vista como um requisito importante para que operadores não tenham acesso direto a imagens de pessoas, reservando esse nível de detalhe apenas para investigações ou comparações específicas com níveis de acesso restritos.

A falta de segregação de ambientes também é um ponto de atenção. Questiona-se como um único usuário, mesmo com autenticação segura, poderia ter acesso irrestrito a todas as câmeras e dados sensíveis.

O que diz a Prefeitura e os envolvidos

Em nota, a Prefeitura de São Paulo reforçou que o repositório com os links de acesso nunca esteve público e atribuiu o vazamento a um ato criminoso. A administração municipal informou que não há sinais de ataque ao sistema do Smart Sampa. A PRODAM e o Consórcio Smart City SP, responsáveis pela operação, contrataram uma empresa independente para análises de segurança.

A Monuv, responsável pelo serviço de nuvem, afirmou que mantém uma estrutura de segurança em linha com as boas práticas do setor. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana classificou o envio de um novo arquivo com senhas sigilosas ao UOL como um novo ato criminoso.

A prefeitura anunciou que adotará medidas administrativas e legais para investigar o episódio e responsabilizar os envolvidos. A obrigatoriedade do reconhecimento facial para acessar o Smart Sampa foi anunciada após a primeira falha.

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