Falha no Smart Sampa expõe 17 mil câmeras de segurança em São Paulo

Destaques
- •Segunda brecha de segurança em menos de um mês afeta o sistema de monitoramento da Prefeitura de São Paulo.
- •A falha permitiu o acesso indevido a imagens de 17 mil câmeras, incluindo residências de autoridades.
- •Prefeitura investiga o caso e afirma que não há sinais de ataque ao sistema, mas sim ato criminoso.
Uma nova falha de segurança no sistema de monitoramento Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, permitiu o acesso indevido a 17 mil câmeras de segurança. A notícia surge menos de um mês após outra brecha expor 58 mil câmeras, levantando sérias preocupações sobre a proteção de dados na capital paulista.
A reportagem do UOL teve acesso a imagens hospedadas na empresa de nuvem Monuv por cinco dias. Os links comprometidos permitiam o acompanhamento em tempo real de ruas e locais privados, incluindo residências de autoridades como o ministro do STF Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso. Os links foram removidos após a denúncia.
Por que o erro aconteceu de novo?
A mais recente brecha é atribuída a uma falha no código-fonte da Sentinelx, empresa responsável pela plataforma tecnológica do Smart Sampa. Arquivos disponíveis na web expuseram endereços de serviços que, por sua vez, permitiam o acesso a cadastros e aos links das transmissões das câmeras.
Especialistas apontam que falhas básicas de segurança foram negligenciadas. A falta de autenticação em múltiplos fatores e a segregação inadequada de ambientes são citadas como problemas críticos. Uma única conta com autenticação segura poderia ter acesso irrestrito a todas as câmeras e dados sensíveis, como rostos e placas de veículos.
Medidas de segurança e privacidade
A especialista Rafaela Silva, da Genetec, sugere que as plataformas deveriam implementar camadas de privacidade para borrar rostos em situações de acesso irrestrito. A máscara de privacidade é vista como um requisito importante para que operadores não tenham acesso direto a imagens de pessoas, reservando esse nível de detalhe apenas para investigações ou comparações específicas com níveis de acesso restritos.
A falta de segregação de ambientes também é um ponto de atenção. Questiona-se como um único usuário, mesmo com autenticação segura, poderia ter acesso irrestrito a todas as câmeras e dados sensíveis.
O que diz a Prefeitura e os envolvidos
Em nota, a Prefeitura de São Paulo reforçou que o repositório com os links de acesso nunca esteve público e atribuiu o vazamento a um ato criminoso. A administração municipal informou que não há sinais de ataque ao sistema do Smart Sampa. A PRODAM e o Consórcio Smart City SP, responsáveis pela operação, contrataram uma empresa independente para análises de segurança.
A Monuv, responsável pelo serviço de nuvem, afirmou que mantém uma estrutura de segurança em linha com as boas práticas do setor. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana classificou o envio de um novo arquivo com senhas sigilosas ao UOL como um novo ato criminoso.
A prefeitura anunciou que adotará medidas administrativas e legais para investigar o episódio e responsabilizar os envolvidos. A obrigatoriedade do reconhecimento facial para acessar o Smart Sampa foi anunciada após a primeira falha.
Matérias originais
- Nova falha no Smart Sampa expõe 17 mil câmeras e imagens de autoridades sem senha · canaltech.com.br
- Smart Sampa tem novo vazamento de dados em 17 mil câmeras · convergenciadigital.com.br



