Falha crítica no OpenSSH permite login sem senha em sistemas Linux

Destaques
- •Vulnerabilidade 'sshole' descoberta no OpenSSH e musl C possibilita acesso não autorizado a sistemas Linux.
- •A falha afeta distribuições como Alpine Linux, OpenWrt, Buildroot e Yocto sob configurações específicas.
- •Atualizações de segurança já foram liberadas para mitigar o risco.
Uma vulnerabilidade crítica de segurança, batizada de “sshole”, foi descoberta no software livre OpenSSH e na biblioteca musl C, permitindo que invasores façam login em contas de sistemas Linux que deveriam ter o acesso por senha bloqueado. A falha, que existe desde 2016, foi divulgada pelo pesquisador de segurança Ozgun Kultekin e afeta distribuições como Alpine Linux, OpenWrt, Buildroot e Yocto, desde que configuradas de maneira específica.
A brecha surge da forma como o OpenSSH gerencia erros de verificação de senha em sistemas que utilizam a musl C. Em ambientes Linux, contas podem ter o login por senha bloqueado quando o administrador substitui o hash da senha por um asterisco (*) no arquivo de configuração do sistema. Teoricamente, nenhum texto inserido deveria permitir o acesso. No entanto, uma alteração no OpenSSH em 2016 para corrigir uma falha de enumeração de nomes de usuários fez com que o software processasse a função de hash mesmo quando a conta não possuía um válido, visando igualar o tempo de resposta do servidor e dificultar a identificação de usuários legítimos.
Como a falha é explorada
O problema ocorre porque a função da musl C retorna o caractere asterisco assim que o processamento falha, o que acontece quando a senha enviada ultrapassa o limite de 256 bytes. Com isso, o OpenSSH compara o resultado gerado com a operação armazenada no sistema, valida a entrada e autoriza o acesso.
A exploração da vulnerabilidade exige condições específicas no servidor. Entre elas estão: o OpenSSH rodando em um sistema baseado em musl; a autenticação por Módulos de Autenticação Conectáveis (PAM) desativada; a autenticação por senha ativa; e a existência de contas configuradas com asterisco no lugar do hash da senha.
Riscos e sistemas afetados
O pesquisador Ozgun Kultekin relatou que utilizou agentes de inteligência artificial (IA) para mapear o comportamento do software, enviando milhares de logins com senhas inválidas. A descoberta é particularmente preocupante pois imagens oficiais de nuvem do Alpine Linux para Amazon Web Services e Microsoft Azure possuem uma conta padrão chamada “Alpine”, que permite execução de comandos como administrador sem senha. A exploração dessa configuração pode resultar na obtenção de acesso total ao sistema.
Sistemas que utilizam a biblioteca glibc, como Debian, Ubuntu e Fedora, além daqueles que empregam o módulo PAM de autenticação, não sofrem impactos dessa vulnerabilidade, conforme alertou o pesquisador.
Solução e próximos passos
O projeto Alpine Linux e os desenvolvedores do OpenSSH já liberaram atualizações de segurança para resolver o problema. A correção está disponível na versão 10.6p2 do OpenSSH.
Ozgun Kultekin aconselha que administradores de sistemas afetados atualizem os pacotes por meio do gerenciador do sistema. Caso a aplicação imediata do patch não seja possível, a recomendação é desativar completamente a autenticação por senha no arquivo de configuração do servidor. O comunicado oficial da equipe do Alpine Linux reforça a necessidade de priorizar a atualização dos pacotes OpenSSH para mitigar os riscos.
Matérias originais
- Falha permite acesso root a servidores Linux ao digitar senha longa · estadao.com.br

