F1 usa IA da AWS para simular regras e projetar carros do futuro

Destaques
- •Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e Amazon Web Services (AWS) firmam parceria para usar inteligência artificial (IA) no desenvolvimento de regulamentos e carros da Fórmula 1.
- •A tecnologia permite simular mudanças aerodinâmicas e de regras digitalmente, reduzindo custos e o tempo de produção de peças físicas para testes.
- •A parceria visa otimizar a coleta e interpretação de dados de corrida para estratégias de equipes e engajamento de fãs, além de prever cenários futuros.
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a Amazon Web Services (AWS) anunciaram uma nova parceria que colocará a inteligência artificial (IA) no centro do desenvolvimento da Fórmula 1 e outras modalidades do automobilismo. A colaboração visa utilizar a tecnologia de dados, IA e computação em nuvem da AWS para simular novos regulamentos e regras para carros em um ambiente digital, antes mesmo de qualquer peça física ser produzida. Isso representa uma redução significativa de custos e tempo no processo de desenvolvimento.
A AWS, que já fornece tecnologia para coletar e interpretar dados de cada volta durante as corridas da F1 desde 2018, expandirá seu papel para auxiliar a FIA na criação de cenários futuros e na definição de especificações para os carros. A líder de Gestão de Soluções para Clientes da AWS do Brasil, Fernanda Spinardi, explicou que a IA pode prever padrões e identificar cenários, permitindo ajustes aerodinâmicos sem a necessidade de testes físicos.
Projetando o carro do futuro com simulações digitais
A nova parceria permitirá que a FIA determine mudanças no regulamento de todas as categorias do automobilismo de forma digital. A estrutura da AWS possibilita comparar dados de simulações e aplicar IA para que as construtoras trabalhem com informações precisas. O desenvolvimento do carro do futuro é um dos pilares, com a IA criando simulações aerodinâmicas e prevendo padrões.
“Há uma simulação digital que vai testar como é que o fluxo de ar, por exemplo, se relaciona com o desenho aerodinâmico do carro. Depois, pode fazer ajustes nesse desenho aerodinâmico sem a necessidade de produzir a peça física”, detalha Spinardi. Os dados também são usados pela FIA para monitorar se os carros seguem as diretrizes, o que pode evitar polêmicas e a necessidade de intervenções durante a temporada, como ocorreu em 2026.
Fórmula 1: um mar de dados impulsionado pela IA
Desde 2018, a AWS gerencia a vasta quantidade de dados de telemetria coletados pelos carros de F1. São mais de 300 sensores que captam 1,1 milhão de pontos de dados por segundo, o equivalente a transmitir 600 filmes simultaneamente. A F1, com sua longa história de uso de telemetria, já possuía uma base de dados robusta, que agora é potencializada pela IA.
A inteligência artificial analisa esses dados não apenas historicamente, mas também com foco em predição. Durante as corridas, a IA pode ajudar a determinar a melhor estratégia para um pit stop ou prever oportunidades de ultrapassagem. A capacidade de prever cenários e responder a perguntas como “e se o piloto fizesse isso?” ganha um novo contexto com o avanço da IA.
Engajamento do fã e a estratégia em tempo real
As transmissões recentes da F1 já incorporam diversos dados e elementos gráficos para enriquecer a experiência do espectador. A parceria com a AWS visa aprimorar ainda mais essa interação, permitindo que os fãs entendam melhor as estratégias em tempo real, como a melhor janela para um pit stop, sem comprometer a posição do piloto.
“Dá a possibilidade de pensar em ser um estrategista de uma equipe de Fórmula 1”, afirma Fernanda Spinardi, destacando como a tecnologia aproxima o público das complexidades do esporte. O próximo Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos, promete ser mais um exemplo do uso dessas tecnologias para enriquecer a experiência de quem acompanha a corrida.


