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Paraguai: Ex-presidente Peña em prisão preventiva por crise no Ueno Bank

08 de novembro de 2026
Paraguai: Ex-presidente Peña em prisão preventiva por crise no Ueno Bank

Destaques

  • •O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido preventivamente em meio a uma crise bancária que afeta o Ueno Bank.
  • •O Banco Central do Paraguai já devolveu dinheiro a 64% das contas com saldo no Ueno Bank, totalizando cerca de US$ 158 milhões.
  • •A investigação apura suposta lesão de confiança e administração em benefício próprio por parte de Peña, que era acionista do banco.

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido preventivamente neste sábado (7) em Assunção, após ser denunciado por suposta lesão de confiança e administração em benefício próprio. A prisão ocorre em meio a uma crise no Ueno Bank, banco digital que teve sua intervenção decretada na terça-feira (3) e deixou milhões de correntistas sem acesso a seus depósitos.

A investigação, conduzida pelo juiz Humberto Otazu, apura irregularidades no Ueno Bank, instituição da qual Peña foi acionista até 2025. O Ministério Público havia solicitado sua prisão preventiva e o bloqueio de seus bens. Inicialmente, Peña cumpria prisão domiciliar, mas após protestos, foi levado a um quartel militar.

Devolução de depósitos no Ueno Bank

Enquanto a crise política se desenrola, o Banco Central do Paraguai (BCP) informou que já devolveu dinheiro a 64% das 1,87 milhão de contas com saldo no Ueno Bank. As restituições somam 994,6 bilhões de guaranis, aproximadamente US$ 158 milhões.

Até o momento, 1.867.531 contas foram consideradas, excluindo aquelas sem saldo. Um primeiro lote de 722 mil contas foi pago, seguido por outro de 475 mil. Restam 669.336 contas a serem processadas.

Os pagamentos iniciais foram destinados a clientes sem dívidas com o banco e que possuíam conta em outra instituição financeira. Clientes com impedimentos ou bloqueios em suas contas terão seus casos analisados entre segunda (9) e terça-feira (10).

Pagamentos para clientes endividados e próximos passos

A partir de segunda-feira (9), o BCP pretende pagar também os clientes que possuíam dívidas com o Ueno Bank. A legislação paraguaia determina o desconto dos valores vencidos antes da devolução. Por exemplo, um cliente com 5 milhões de guaranis na conta e devendo 2 milhões em parcelas atrasadas receberá os 3 milhões restantes.

Os pagamentos são realizados em guaranis, mesmo para contas originalmente mantidas em dólar. Os recursos provêm do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), que cobre até 75 salários mínimos paraguaios (cerca de R$ 201 mil) por cliente. Valores acima desse limite dependem da liquidação do banco.

Bancos e financeiras continuarão realizando pagamentos durante o fim de semana. A partir de quinta-feira (12), o BC analisará as solicitações individuais de quem ainda não recebeu.

Impacto e antecedentes da crise

A crise do Ueno Bank, que administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos e possuía cerca de 3 milhões de clientes, afetou também o setor de aposentadorias. Cerca de 32 mil beneficiários do Instituto de Previdência Social (IPS) que recebiam pelo banco estão sendo transferidos para outras oito instituições.

O banco sofreu intervenção após a queda de seu índice de solvência para menos da metade do mínimo exigido. O Senado destituiu Santiago Peña em um processo de impeachment ligado ao colapso da instituição, e o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o governo.

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