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Israel: Ex-chefe militar Gadi Eisenkot recebe tarefa de formar governo

08 de novembro de 2026
Israel: Ex-chefe militar Gadi Eisenkot recebe tarefa de formar governo

Destaques

  • •Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas de Israel, foi encarregado pelo presidente Isaac Herzog de formar um novo governo.
  • •A tarefa de Eisenkot é complexa, pois nenhum partido obteve maioria absoluta nas eleições, e ele tem 28 dias para negociar uma coalizão.
  • •O país enfrenta desafios urgentes, incluindo tensões regionais e a necessidade de uma liderança confiável, com a possibilidade de novas eleições caso a formação do governo falhe.

O ex-chefe das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, recebeu neste domingo (8 de novembro) a tarefa oficial do presidente israelense Isaac Herzog para formar um novo governo. A indicação ocorre após as eleições de 27 de outubro resultarem em um impasse, sem que nenhum partido alcançasse a maioria necessária para governar. Eisenkot, líder do partido Yashar, tem 28 dias, com possibilidade de prorrogação de 14 dias, para construir uma coalizão e obter o apoio de pelo menos 61 dos 120 assentos no Knesset, o Parlamento de Israel.

Um desafio complexo em tempos de crise

Eisenkot descreveu a tarefa como “extraordinariamente complexa” e declarou que Israel está em “estado de emergência” e se aproximando de um “ponto sem retorno”. Ele enfatizou a urgência de formar um “governo de emergência nacional” que exigirá “medidas políticas criativas e não convencionais”. O país enfrenta imensos desafios, incluindo a ameaça de ataques do Irã, a necessidade de avançar na paz em Gaza e negociações com o Líbano e outros vizinhos, além de uma crise diplomática que pode levar aliados a reavaliar suas relações com Israel.

Internamente, Eisenkot alertou para a vulnerabilidade da democracia israelense, com tentativas de deslegitimar o sistema e crescente desconfiança nas instituições. Ele busca formar um governo com base em quatro princípios: reconhecimento de Israel como Estado judeu e democrático; serviço nacional obrigatório para todos; reconhecimento do Hamas como organização terrorista; e o compromisso de destruir sua capacidade militar e de governar. Ele acredita ser possível formar rapidamente um novo governo com ampla maioria no Knesset.

Caminhos incertos para a formação do governo

O partido Yashar, de Eisenkot, conquistou 21 cadeiras, emergindo como o segundo maior, mas sua coalizão obteve apenas 48 assentos. O partido Likud, do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi o maior partido isolado com 27 cadeiras, mas sua coalizão religioso-nacionalista alcançou 53 assentos, ambos aquém da maioria de 61. Dois partidos que representam a minoria árabe conquistaram um número sem precedentes de 19 cadeiras.

Os possíveis caminhos para Eisenkot incluem formar um governo minoritário com apoio de partidos árabes, uma coalizão com partidos ultraortodoxos ou um governo de unidade com Netanyahu. Todas as opções enfrentam obstáculos. O líder da oposição, Avigdor Lieberman, do partido “Israel, Nosso Lar”, descartou um governo de unidade com Netanyahu ou um governo minoritário com apoio árabe, mas suavizou sua postura em relação a partidos judeus ultraortodoxos, desde que concordem em apoiar uma lei para o serviço militar obrigatório.

Eisenkot apelou a todos os partidos que atendam aos seus princípios fundamentais, incluindo membros do Likud e do partido Sionismo Religioso. Ele deixou de fora o partido de extrema direita Otzma Yehudit, liderado por Itamar Ben Gvir, e sinalizou aceitar o Likud em sua coalizão, mas sem a participação de Netanyahu. A inclusão de partidos árabes pode ser decisiva, mas enfrenta resistência. Os partidos ultraortodoxos defendem isenções do serviço militar, uma bandeira de campanha de Eisenkot.

Próximos passos e o risco de novas eleições

Se Eisenkot não conseguir formar um governo, Netanyahu provavelmente terá a chance. Caso ambos falhem, novas eleições poderão ser convocadas, algo que Israel já vivenciou cinco vezes entre 2019 e 2022 devido a impasses na formação de governos. A declaração de Netanyahu pedindo um governo de unidade de todos os partidos sionistas, sem indicar se atuaria sob a liderança de Eisenkot, adiciona incerteza ao cenário. Lieberman, por sua vez, afirmou que é preciso tomar “decisões difíceis” para evitar novas eleições e o fim da “era Netanyahu”.

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