EUA: Montadoras pedem proibição permanente de veículos chineses

Destaques
- •Grupo de montadoras pressiona o Congresso dos EUA a proibir a venda de veículos chineses no país.
- •A medida visa proteger o mercado americano de riscos de vigilância e concorrência desleal.
- •A votação sobre o projeto de lei está prevista para o final do ano.
Um grupo que representa as principais montadoras instaladas nos Estados Unidos instou, nesta segunda-feira, os parlamentares a aprovarem uma proibição permanente de veículos chineses no país. A expectativa é que a votação ocorra em uma sessão rápida após as eleições legislativas de meio de mandato, antes do fim do ano.
A proposta visa proteger o mercado americano de uma potencial "enxurrada de importações chinesas" que, segundo os representantes do setor, trazem riscos de vigilância e prejudicam os fabricantes locais. "Precisamos proteger nossa base de defesa e de manufatura avançada e impedir que as montadoras chinesas façam aqui o que têm conseguido fazer impunemente na Europa", afirmou John Bozzella, líder da Aliança para a Inovação Automotiva, que representa empresas como General Motors, Toyota e Volkswagen.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado em 2025 pela Advances in Economics, Management and Political Sciences analisou o impacto das políticas comerciais dos EUA nas montadoras chinesas de veículos elétricos (EVs) entre 2018 e 2023. A pesquisa focou em estudos de caso da BYD e da Geely, examinando como essas empresas responderam aos desafios impostos pelas restrições comerciais americanas. O estudo concluiu que a BYD optou pela entrada direta em mercados em desenvolvimento, estabelecendo instalações de produção local, enquanto a Geely utilizou sua propriedade da Volvo para entrar indiretamente no mercado dos EUA. A pesquisa contribui para a compreensão de como as políticas comerciais influenciam as estratégias corporativas e o desenvolvimento da indústria em uma economia globalizada.
Como chegou a esse ponto
A pressão por uma proibição se intensificou após a União Europeia importar mais de 1,1 milhão de veículos da China nos primeiros oito meses de 2026, superando o total do ano anterior. Bozzella alertou para o risco à segurança nacional e o comportamento considerado desleal da China no mercado europeu.
Em setembro, autores de uma proposta bipartidária no Senado concordaram em adiar a tentativa de acelerar a tramitação do projeto de lei para novembro. Uma comissão do Senado já havia aprovado o projeto em julho, e uma versão na Câmara conta com mais de 100 coautores. Montadoras e assessores legislativos esperam conseguir a aprovação definitiva ainda este ano.
O que dizem os envolvidos
O Ministério das Relações Exteriores da China já havia instado os Estados Unidos a "respeitar as leis da economia de mercado e os princípios da concorrência leal", criticando propostas anteriores contra empresas chinesas como "repressão irracional".
Por outro lado, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, declarou em setembro que aceitaria a fabricação de carros por montadoras chinesas nos EUA, o que gerou alarme entre as montadoras americanas. Uma regulamentação imposta pelo governo Biden no início de 2025 proibiu efetivamente a venda e fabricação de veículos de passageiros por montadoras chinesas nos EUA, citando o risco de envio de dados confidenciais dos motoristas para a China. Washington também mantém tarifas superiores a 100% sobre veículos elétricos chineses.
Próximos passos
A expectativa é que o Congresso dos Estados Unidos vote a proibição permanente de veículos chineses ainda este ano, após o retorno para uma sessão rápida após as eleições legislativas de meio de mandato.
Pesquisa citada
- The Impact of US Trade Policy on Chinese EV Companies from 2018-2023
Advances in Economics, Management and Political Sciences · 2025



