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Estudo aponta que empresas brasileiras adotam IA, mas falham na integração e medição de retorno

27 de outubro de 2026
Estudo aponta que empresas brasileiras adotam IA, mas falham na integração e medição de retorno

Destaques

  • •Pesquisa revela que a maioria das empresas brasileiras implementou ferramentas de IA individualmente, mas não as integrou aos processos corporativos nem mede o retorno sobre o investimento.
  • •A maturidade corporativa em IA emperra na falta de método e governança, com a maioria das áreas de RH, Financeiro e Facilities operando em estágios iniciais, segundo estudo.
  • •Especialistas apontam que a adoção de IA exige revisão de políticas de remuneração, governança de dados e capacitação de equipes para superar resistências e garantir ganhos reais.

Um estudo conjunto realizado pela Comp, Barte e Woba com cerca de 300 executivos brasileiros revelou que, apesar da ampla adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) nas empresas, a maturidade corporativa na área ainda é baixa. O levantamento aponta uma lacuna entre a disponibilização de tecnologias aos colaboradores e a sua efetiva integração aos processos de negócio, bem como a medição do retorno sobre o investimento (ROI).

A pesquisa, que utilizou uma escala de cinco estágios de maturidade em IA, constatou que a maioria das empresas opera em níveis iniciais, com a IA sendo adotada de forma individual e não padronizada. A falta de método e governança impede que a tecnologia avance para estágios mais elevados, onde a IA seria capaz de aprender com suas próprias decisões e impactar significativamente os resultados do negócio.

Maturidade em RH, Financeiro e Facilities aquém do esperado

No setor de Recursos Humanos (RH), a análise objetiva indicou que 92% das áreas estão no nível 1 ou abaixo da escala de maturidade, contrastando com os 64% que se autodeclararam nesse estágio. A adoção de soluções compartilhadas de IA, embora comum, ainda não cobre a totalidade das tarefas recorrentes, e a execução de processos de ponta a ponta sem intervenção manual é inexistente.

O setor financeiro, embora um degrau à frente, também demonstra fragilidade. 89% das áreas financeiras permanecem nos dois primeiros estágios, e o fechamento contábil continua sendo um gargalo significativo, independentemente da velocidade de execução. O porte da empresa ou o setor não explicam totalmente essa diferença, indicando um problema metodológico.

Em Facilities, 83% dos profissionais usam a IA individualmente, mas 90% não seguem um método compartilhado. A falta de prontidão de dados (87%) e a ausência de medição de ganhos impedem que a tecnologia gere valor real, com 80% das operações no nível reativo (N1).

Desafios na implementação e resistência das equipes

Discussões com executivos de empresas como Ânima Educação e Corpay reforçaram os desafios práticos da adoção de IA. Um dos principais obstáculos é a resistência das equipes, que pode vir do receio de perder comissões ou do apego a métodos de trabalho tradicionais. A Ânima Educação, por exemplo, precisou rever sua política de remuneração para alinhar os vendedores aos agentes de IA.

A qualidade dos dados e a necessidade de comprovar ganhos antes da expansão também são pontos críticos. A Corpay utilizou testes A/B para validar a eficácia de um copiloto de IA antes de expandi-lo, garantindo que a tecnologia fosse integrada de forma ordenada e segura, seguindo premissas de arquitetura e observabilidade.

A resistência de profissionais técnicos em transferir atividades para agentes de IA também foi destacada. Especialistas defendem que a adoção de IA seja tratada como uma transformação organizacional, com participação das lideranças e investimento em capacitação, combinando a disposição individual com programas de treinamento.

Próximos passos e o futuro da IA nas empresas

O estudo aponta que a demanda por IA é alta, com muitas empresas priorizando a tecnologia ou rodando pilotos. No entanto, para que os ganhos sejam concretos, é fundamental ir além da simples implementação de ferramentas. É preciso integrar a IA aos processos, estabelecer governança, medir o retorno e preparar as equipes para as novas formas de trabalho.

A velocidade da TI, impulsionada pela IA, também exigirá uma revisão da capacidade de decisão do negócio. Empresas precisarão de processos de aprovação e definição de prioridades mais ágeis para acompanhar a produtividade gerada pela tecnologia, mudando o papel das lideranças para uma participação mais ativa na revisão de processos e decisões de negócio.

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