Estudantes franceses retomam protestos contra cortes e desigualdades na educação

Destaques
- •Estudantes franceses voltaram a protestar nesta segunda-feira (02/11) contra a falta de investimentos e as desigualdades no acesso ao ensino superior.
- •O governo anunciou um pacote de medidas, incluindo a substituição da plataforma de ingresso universitário e a criação de vagas, mas as organizações estudantis consideram as propostas insuficientes.
- •Novos bloqueios e manifestações foram convocados para os próximos dias, indicando que o movimento deve continuar apesar dos esforços do governo para acalmar os ânimos.
Estudantes franceses retomaram nesta segunda-feira (02/11) os protestos contra as condições de ensino, a falta de investimentos na educação pública e as desigualdades no acesso às universidades. Na volta às aulas após as férias de outono, 41 escolas de ensino médio foram bloqueadas ou tiveram tentativas de bloqueio, o que representa cerca de 1% dos 3,7 mil estabelecimentos do país, segundo o Ministério da Educação.
As mobilizações ocorreram em diversas cidades, como Paris, Marselha e Rennes. Embora a adesão tenha sido menor que nas semanas anteriores, a União Sindical dos Estudantes do Ensino Médio e a União Estudantil convocaram novos bloqueios para terça-feira (03/11) e quinta-feira (05/11). A União Nacional dos Estudantes da França (Unef) também chamou para manifestações nas universidades.
Reivindicações e histórico do movimento
O movimento estudantil teve início em setembro, nos arredores de Paris, com demandas por melhores condições de aprendizagem, mais professores, reforma de prédios escolares e ampliação de vagas no ensino superior. Com o apoio de sindicatos e outros setores da sociedade, as manifestações evoluíram para críticas ao aumento do custo de vida, à precarização dos serviços públicos e às desigualdades sociais.
No último sábado (31/10), manifestações em todo o país reuniram 320 mil pessoas, segundo o Ministério do Interior, número inferior às semanas anteriores. A maior parte dos atos foi pacífica, mas houve confrontos, incêndios e depredações em algumas cidades, resultando na detenção de 779 pessoas.
Medidas do governo e reação estudantil
Em resposta aos protestos, o governo do presidente Emmanuel Macron anunciou em 26 de outubro um pacote de medidas. Entre elas, destacam-se a substituição da plataforma Parcoursup para ingresso no ensino superior a partir de 2028, a abertura de 15 mil vagas adicionais em universidades, e a limitação de 28 alunos por turma no primeiro ano do ensino médio.
O Ministério da Educação também prometeu cancelar cortes de postos de trabalho no setor, criar 500 vagas para professores, destinar 4 bilhões de euros em empréstimos para reformas escolares e 1 bilhão de euros para investimentos em campi universitários. O presidente Macron pediu a retomada das aulas em clima de tranquilidade, afirmando que os jovens foram ouvidos.
No entanto, as organizações estudantis consideraram as propostas insuficientes. Os representantes questionam a falta de garantias de financiamento e argumentam que as medidas não abordam problemas estruturais, como a carência de professores, a superlotação de salas e as dificuldades de acesso às universidades. O ministro da Educação, Édouard Geffray, classificou os bloqueios desta segunda como pontuais e alertou para o risco de comprometer a preparação dos estudantes para os exames do baccalauréat.
Matérias originais
- Estudantes retomam protestos na França e mantêm pressão sobre governo Macron · operamundi.uol.com.br


