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Estudante negra relata ataques racistas e de intolerância religiosa após eleições

04 de novembro de 2026
Estudante negra relata ataques racistas e de intolerância religiosa após eleições

Destaques

  • •Estudante de 13 anos em Belo Horizonte sofreu ofensas racistas, religiosas e ameaças após postar opinião política no Instagram.
  • •A família registrou boletim de ocorrência por injúria por meio eletrônico com causa presumida de racismo, e a escola se comprometeu a apoiar a vítima.
  • •O caso se soma a outros relatos de violência política e assédio eleitoral no ambiente de trabalho e escolar após as eleições.

Uma estudante negra de 13 anos, aluna bolsista de uma escola particular em Belo Horizonte, relatou ter recebido uma série de mensagens com ofensas pesadas, incluindo conteúdo racista, de intolerância religiosa, preconceito de classe e ameaças de teor sexual, após publicar uma opinião favorável à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua conta fechada no Instagram. As mensagens, enviadas por colegas de classe e outros adolescentes, foram posteriormente apagadas, mas registradas pela mãe da jovem.

Entre as ofensas, estavam falas como "Filha de Exu, elite do Candomblé, o Zé Pilintra é seu pai" e "Sua pobre desgraçada, minha casa vale R$ 10 milhões, vale mais que sua alma inteira". A família também relatou que um dos agressores enviou uma foto de suas nádegas à estudante. A mãe da aluna expressou indignação com a violência vinda de "crianças" e com as agressões verbais contra mulheres, citando que outra colega de sala também foi alvo.

Ações legais e apoio da escola

A mãe registrou um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil de Minas Gerais, que qualificou o ocorrido como injúria por meio eletrônico, com causa presumida de racismo. O caso está sendo apurado pelo Departamento Estadual de Investigação, Orientação e Proteção à Família (Defam). A família já havia relatado outros episódios de agressão verbal na escola, mas não procurou a polícia anteriormente por medo de a filha perder a bolsa de estudos. Desta vez, a mãe decidiu não se calar, esperando punição para os meninos e seus pais, e que aprendam a ter respeito.

O advogado da família, Victor Alves, ressaltou a importância de levar casos como esse à Justiça para romper com a naturalização do racismo e proteger a dignidade da menina. Ele defende a responsabilização dos envolvidos e a mudança institucional. Em reunião com a escola, a instituição de ensino se prontificou a dar todo o apoio institucional e jurídico à vítima, afirmando não compactuar com qualquer forma de racismo, discriminação ou intolerância e que está verificando as informações e adotando procedimentos internos.

Contexto de violência política e assédio

O episódio em Belo Horizonte não é isolado. Relatos de violência política contra estudantes após as eleições foram registrados em escolas no Distrito Federal, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu mais de 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral no trabalho entre 28 e 30 de outubro. Professores do setor privado em Minas Gerais também denunciaram casos de intimidação e perseguição política por parte de colegas e da direção.

O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) recebeu 15 denúncias de assédio, incluindo ameaças de demissão para quem votou em determinado candidato e estudantes organizados para filmar aulas. O sindicato considera essas práticas crime e violência psicológica, e recomenda que vítimas busquem seus sindicatos para denúncias. Canais como o do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e MPT estão disponíveis para denúncias de assédio eleitoral.

Recomendações de especialistas

A professora Luciene Regina Tognetta, da Unesp, classifica os ataques contra estudantes como violência política, e não "bullying político", devido à sua natureza episódica. Ela enfatiza a necessidade de chamar os atos pelo nome correto para a intervenção adequada. Tognetta explica que a violência política chega à escola por reproduzir as relações da sociedade, e que a escola deve ser um espaço de formação.

Para casos com indícios de injúria racial e intolerância religiosa, a especialista recomenda que os pais documentem as agressões e registrem boletim de ocorrência, garantindo que a lei seja cumprida. Quanto à escola, defende que agressões sejam tratadas pedagogicamente, promovendo o diálogo entre as partes para restaurar a convivência, em vez de apenas expulsar os agressores, para formar para a vida em sociedade.

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