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Especialistas preveem aumento de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial

06 de novembro de 2026
Especialistas preveem aumento de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial

Destaques

  • •Especialistas do mercado de reestruturação empresarial preveem um aumento nos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial nos próximos meses.
  • •A incerteza macroeconômica e a permanência de juros altos são fatores que impulsionam a tendência de mais reestruturações empresariais.
  • •A eficiência dos instrumentos de reestruturação e a entrada de novo capital no mercado de crédito são apontados como cruciais para a solução.

Especialistas do mercado de reestruturação empresarial preveem um aumento significativo nos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial nos próximos meses. A avaliação geral é que muitas empresas adiaram decisões estratégicas devido à espera pelo resultado das eleições presidenciais e, com o desfecho, devem agora buscar esses mecanismos para lidar com suas dívidas. Até o início de outubro, o Brasil já registrava quase 7 mil pedidos de recuperação judicial, mais de 4 mil falências e 54 casos de recuperação extrajudicial, todos números recordes.

Aguardando o cenário pós-eleições

A espera por definições políticas é um fator comum em períodos de transição, segundo Joice Ruiz, sócia fundadora do escritório AJ Ruiz e presidente da TMA (associação de gestores de reestruturações). Ela explica que, com o resultado das urnas, é provável que mais empresas avancem com pedidos de recuperação judicial, somando-se ao volume já expressivo de casos.

A Aeris, fornecedora de pás eólicas, foi uma das primeiras a protocolar um pedido de recuperação extrajudicial após o período eleitoral, com uma dívida de R$ 1,6 bilhão.

Incerteza macro e juros altos impulsionam reestruturações

Há um consenso no setor de que a tendência de crescimento nos volumes de recuperações judiciais e extrajudiciais deve se manter. Especialistas apontam que a reeleição de Lula aumenta as incertezas sobre a condução do ajuste fiscal e a permanência dos juros em patamares elevados.

Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, destaca que a incerteza macroeconômica se intensificou, com o juro futuro para 2030 ultrapassando os 15%, ante 12,5% antes do segundo turno. Ele prevê que as empresas terão dificuldade em rolar suas dívidas, o que as levará a buscar processos de reestruturação.

Saragiotto acredita ser difícil prever uma desaceleração nos pedidos de recuperação, mesmo com ajustes fiscais, pois estes podem gerar uma desaceleração econômica inicial.

Eficiência e crédito como soluções

Em um cenário de aumento de pedidos, Renan Machado, sócio do escritório Coelho Murgel Atherino Advogados, defende a eficiência dos instrumentos de reestruturação. Isso inclui agilidade nos procedimentos, segurança jurídica e mecanismos para atrair novo capital.

Ele ressalta a importância do mercado de crédito como parte essencial da solução, e não apenas como um agente externo ao processo de recuperação. Uma fonte técnica do setor, que preferiu não se identificar, sugere que empresas ainda em dúvida podem esperar um pouco mais, especialmente pela indefinição sobre os comandos de pastas importantes como o Ministério da Fazenda, para tomar decisões mais razoáveis.

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