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Especialistas defendem transição mais gradual do Bolsa Família para o mercado de trabalho

22 de outubro de 2026
Especialistas defendem transição mais gradual do Bolsa Família para o mercado de trabalho

Destaques

  • •Economistas Laura Muller Machado e Fernando de Holanda Barbosa Filho criticam a transição abrupta do Bolsa Família para a autonomia financeira.
  • •Defendem modelo gradual, similar ao americano, com redução proporcional de benefícios para incentivar a busca por emprego.
  • •A transição atual gera insegurança financeira e psicológica, desestimulando a entrada no mercado de trabalho.

A eficácia do Bolsa Família no alívio da pobreza no Brasil é cientificamente comprovada, com resultados impressionantes. No entanto, as regras atuais de transição para o mercado de trabalho são consideradas inadequadas e pouco amigáveis aos beneficiários que buscam autonomia financeira. A avaliação é de Laura Muller Machado, professora do Insper e ex-secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, e Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV/Ibre e ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério da Economia.

Em debate promovido pelo Estadão, os economistas defenderam a adoção de um modelo de saída mais gradual do programa social. Segundo Machado, a transição abrupta gera uma sensação de insegurança financeira e psicológica, o que pode desestimular a busca por novas oportunidades de trabalho.

Proposta de saída gradual

Barbosa Filho comparou a situação com o sistema norte-americano, onde a redução dos benefícios ocorre de forma proporcional e progressiva. Ele argumenta que, sem essa segurança de uma saída gradual, o indivíduo se sente desincentivado a dar o passo em direção à autonomia.

A insegurança gerada pelo modelo atual pode levar os beneficiários a temerem a perda imediata de suporte financeiro ao ingressarem no mercado formal, mesmo que a nova renda seja maior. Essa apreensão dificulta a tomada de decisão e a reinserção profissional.

Impacto na autonomia e no mercado

A falta de um mecanismo de transição mais suave pode criar um ciclo de dependência, onde o receio de perder o benefício impede a busca ativa por emprego. A proposta dos economistas visa justamente quebrar esse ciclo, oferecendo um caminho mais seguro para a independência financeira.

A discussão sobre aprimorar as regras de transição do Bolsa Família é crucial para garantir que a política de proteção social seja, de fato, eficiente e promova a inclusão sustentável dos trabalhadores no mercado formal.

O que dizem os especialistas

Laura Muller Machado ressaltou que, embora o Bolsa Família seja um sucesso em seu objetivo principal de combater a pobreza, a política de transição precisa ser repensada. "Poderíamos ter regras que facilitem mais essa transição", afirmou.

Fernando de Holanda Barbosa Filho complementou, dizendo que "Se você não dá essa segurança de uma saída gradual, você desincentiva essa pessoa a tentar dar esse passo adiante". A fala reforça a necessidade de ajustes na política para que ela cumpra seu papel de ponte para a autonomia.

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