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Engemon economiza R$ 1,3 milhão com adoção de metodologia BIM

03 de novembro de 2026
Engemon economiza R$ 1,3 milhão com adoção de metodologia BIM

Destaques

  • •Engemon reporta economia de R$ 1,3 milhão e redução de 73% no tempo de levantamento de quantitativos com o uso do Building Information Modeling (BIM).
  • •A metodologia permitiu antecipar cerca de 1,5 mil interferências entre disciplinas de engenharia, evitando retrabalhos e custos na obra.
  • •Apesar da familiaridade do setor com o BIM, a aplicação prática e a capacitação de profissionais ainda são desafios, segundo pesquisa do Confea.

A Engemon anunciou ter economizado cerca de R$ 1,3 milhão em um projeto com a adoção do Building Information Modeling (BIM), metodologia que também reduziu em 73% o tempo de levantamento de quantitativos em comparação com processos manuais. A empresa se destaca em um setor que ainda enfrenta barreiras para converter o conhecimento sobre BIM em ganhos de produtividade.

A pesquisa divulgada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) em agosto de 2026, com dados de 2024, revelou que mais de 95% dos profissionais de engenharia e agronomia têm familiaridade com o BIM e 77,1% avaliam seus impactos positivamente. No entanto, apenas 33,8% realizaram experimentações concretas, enquanto 56,7% estão na fase inicial de descoberta. O levantamento também indicou que 90,6% dos profissionais relatam desvios recorrentes de prazo e orçamento em seus projetos.

Economia e produtividade com BIM

No projeto específico da Engemon, a reengenharia da estrutura metálica gerou aproximadamente R$ 900 mil em economia, e a otimização do projeto de luminárias contribuiu com outros R$ 400 mil. Esses ganhos diretos representaram cerca de 5,2% do valor total do contrato. A empresa estima que os impactos totais, incluindo produtividade, materiais e redução de retrabalho, possam ser ainda maiores em outros empreendimentos.

O BIM na Engemon integra informações de diversas disciplinas, como arquitetura, estruturas, elétrica e hidráulica, antes da execução no canteiro de obras. Essa compatibilização digital permite identificar conflitos que, de outra forma, gerariam alterações, desperdícios e custos adicionais. No projeto em questão, cerca de 1,5 mil incompatibilidades foram resolvidas na fase de projeto, evitando interrupções na obra e refações.

Pedro Henrique, coordenador de projetos da Engemon, destacou que o principal benefício do BIM reside na capacidade de tomar decisões antecipadas. "Quando conseguimos antecipar uma incompatibilidade, estamos evitando horas de trabalho, desperdício de materiais, alterações de cronograma e custos que surgiriam somente durante a execução", explicou.

Aplicação e capacitação no setor

O levantamento de quantitativos de materiais, extraído dos modelos digitais BIM, atingiu uma precisão de aproximadamente 98%, segundo dados internos da Engemon. A aplicação da metodologia se estende a mais de 20 obras da empresa, com cerca de 700 usuários em um Ambiente Comum de Dados (CDE).

O CDE centraliza informações para engenheiros, projetistas, gestores e profissionais em campo, permitindo o acesso a modelos, projetos, medições e dados técnicos por meio de tablets ou computadores. Essa centralização também minimiza o risco de execução com versões desatualizadas de documentos.

"A transformação digital da engenharia só gera resultado quando a tecnologia chega efetivamente às pessoas que tomam decisões e executam o projeto", afirmou Pedro Henrique, ressaltando a importância de integrar informações, padronizar processos e capacitar as equipes de campo.

A capacitação é apontada como um gargalo pelo setor, com 99% dos participantes da pesquisa do Confea indicando a necessidade de formação em transformação digital. Na Engemon, 11 profissionais já possuem certificação internacional da buildingSMART, e outros dez têm conclusão prevista até o fim de setembro de 2026. Mais de 30 colaboradores também passaram por treinamentos em ferramentas BIM.

BIM e políticas públicas

A metodologia BIM tem ganhado espaço nas políticas públicas de construção. A Lei nº 14.133/2021 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos) prevê a adoção preferencial do BIM em licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura. Em 2024, o governo federal instituiu a Estratégia BIM BR, visando ampliar a difusão da metodologia, estimular a capacitação, incentivar investimentos e fomentar seu uso na construção industrializada e sustentável.

Para a Engemon, esse avanço regulatório representa uma mudança estrutural, consolidando o BIM não apenas como ferramenta de modelagem 3D, mas como um sistema de gestão de informações ao longo de todo o ciclo de vida de um empreendimento, desde o projeto até a operação e manutenção.

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