Energia nuclear é essencial para data centers no Brasil, diz Abdan

Destaques
- •Presidente da Abdan afirma que Brasil não absorverá demanda de data centers sem energia nuclear.
- •Pequenos Reatores Modulares (SMRs) são vistos como solução para abastecer centros de processamento de dados.
- •Decisão sobre a conclusão da Usina de Angra 3 e regulamentação do Redata são pontos cruciais.
O Brasil não conseguirá atender à crescente demanda energética de data centers nas próximas décadas sem a inclusão da energia nuclear em sua matriz, alertou Celso Cunha, presidente da Abdan (Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares). Em entrevista ao Poder360, Cunha destacou que a energia nuclear tem ganhado destaque globalmente, especialmente para data centers, devido à sua capacidade de garantir fornecimento ininterrupto.
O país tem potencial para se tornar um polo de data centers na América Latina, com estimativas de mercado movimentando até US$ 3 trilhões nos próximos 5 anos. Embora a matriz energética brasileira seja predominantemente renovável, a alta demanda por energia contínua e confiável dos data centers representa um obstáculo. "Alguns milissegundos sem energia em um data center custam mais caro do que uma usina nuclear inteira", afirmou Cunha.
O Papel dos Pequenos Reatores Modulares (SMRs)
Segundo o presidente da Abdan, a energia nuclear oferece a firmeza e a limpeza necessárias para abastecer esses centros. Ele ressaltou que o Brasil tem potencial para atrair até 70 gigawatts de data centers até 2050, o que seria humanamente impossível de atender sem a energia nuclear. "O mundo todo está usando", disse.
Cunha defende a utilização de Pequenos Reatores Modulares (SMRs) para essa finalidade. Esses reatores, com potência entre 50 MW e 300 MW, são menores que os convencionais e fabricados em módulos, o que reduz custos e prazos. "Você pode comprar como se fossem geladeiras", exemplificou, explicando que podem ser instalados de forma fracionada, conforme a necessidade.
Regulamentação e o Regime Redata
O setor nuclear tem interesse em participar de projetos habilitados pelo Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), lei sancionada recentemente que oferece benefícios fiscais. O projeto original exigia energia 100% limpa, mas uma alteração incluiu fontes "consideradas de baixa emissão", abrindo espaço para o gás natural. Cunha avalia que a discussão sobre o gás natural não preocupa, pois o texto, embora não cite diretamente, considera o uso de energia nuclear.
Uma portaria ministerial definindo as fontes permitidas deve ser publicada em breve. A Abdan acredita que a energia nuclear será contemplada, mesmo que não explicitamente nomeada, dada a sua capacidade de suprir a demanda contínua e confiável exigida pelos data centers.
O Impasse de Angra 3 e o Futuro Nuclear
Em outro contexto, Celso Cunha também abordou a situação da Usina Termonuclear Angra 3. Ele considera a entrada da iniciativa privada, especificamente a Âmbar Energia (braço da J&F), como a única via viável para a conclusão do empreendimento, paralisado desde 2015. A usina custa R$ 1 bilhão por ano à União.
A decisão sobre a retomada ou conclusão de Angra 3 cabe ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), que tem um prazo de 240 dias, recebido do TCU, para se posicionar. O Ministério de Minas e Energia pretende apresentar uma solução em 2026. Cunha criticou o atraso na decisão, classificando-a como política, e expressou confiança de que a entrada da J&F resolverá o impasse.
O custo estimado para finalizar Angra 3 é de R$ 23,9 bilhões, enquanto o abandono custaria entre R$ 22 bilhões e R$ 25,9 bilhões. A indefinição tem gerado prejuízos significativos para a Eletronuclear e a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), afetando também a ENBPar, controladora das empresas.
Matérias originais
- Brasil precisará de energia nuclear para data centers, diz setor · poder360.com.br
- Iniciativa privada é a única opção para Angra 3, diz setor nuclear · poder360.com.br



