Lula eleito: Ibovespa despenca 13,88% e dólar sobe 8,36%

Destaques
- •Vitória de Lula surpreende mercado e causa maior queda do Ibovespa desde março de 2020.
- •Dólar à vista registra a maior alta diária em 23 anos, fechando a R$ 5,40.
- •Investidores aguardam sinais sobre política fiscal e formação da equipe econômica do novo governo.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato presidencial gerou forte volatilidade nos mercados financeiros brasileiros. Na segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou a maior queda diária desde março de 2020, com um recuo de 13,88%, fechando aos 176.608,23 pontos. O dólar à vista também disparou, com a maior alta diária desde 2003, avançando 8,36% e encerrando o dia a R$ 5,4066. A surpresa do resultado, que contrariou a maioria das pesquisas, levou a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker, interrompendo as negociações.
Reação do mercado e temores fiscais
A vitória de Lula contrariou as expectativas de parte dos investidores, que esperavam a reeleição de Jair Bolsonaro. A principal preocupação do mercado reside na condução da política fiscal durante o novo mandato. Analistas destacam que a trajetória da dívida pública, o controle de despesas e a credibilidade das metas fiscais serão cruciais para a confiança dos agentes econômicos. Especialistas apontam que o governo precisará sinalizar medidas para reconquistar a confiança, como a revisão de gastos obrigatórios e a busca por metas fiscais.
A forte oscilação afetou diversas ações. Entre as maiores quedas do Ibovespa, destacaram-se Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (-56,79%) e Hapvida (-54,93%). Empresas ligadas ao consumo, varejo e mercado imobiliário também sofreram perdas expressivas. Grandes bancos como Banco do Brasil (-27,31%), Bradesco (-21,70%) e BTG Pactual (-24,83%) também registraram quedas significativas, assim como Petrobras (-8,18% nas preferenciais).
Contestações e incertezas políticas
Além da reação natural do mercado a um resultado eleitoral inesperado, a possibilidade de contestações judiciais sobre o pleito adiciona um elemento de incerteza. O candidato derrotado, Flávio Bolsonaro, declarou que pedirá a anulação do pleito, o que pode gerar discussões sobre a judicialização do resultado. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos nos próximos dias.
No cenário internacional, os mercados acompanham a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira, e os preços do petróleo. Apesar de algumas bolsas no exterior terem apresentado altas, o ambiente favorável não foi suficiente para amenizar a aversão ao risco no Brasil.
Próximos passos e expectativas
Para esta terça-feira (27), a expectativa é que os mercados continuem a digerir o resultado eleitoral. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado nos EUA, ensaia uma recuperação no pré-mercado, sinalizando uma possível correção positiva para o Ibovespa. A formação da equipe econômica e os sinais sobre a política fiscal serão os principais focos dos investidores. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, concede entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira, e o BC realiza leilão de swap cambial. A agenda doméstica inclui indicadores como o IPC e dados de outubro do INCC e da sondagem da construção.
Matérias originais
- Dólar abre em alta, com eleições ainda no radar e à espera do Fed · g1.globo.com
- Mini-índice (WINZ26) tenta reagir após tombo histórico; veja os níveis · infomoney.com.br
- Minidólar (WDOX26) testa fôlego comprador após reeleição de Lula · infomoney.com.br
- Possível correção dos mercados, Galípolo, leilões do BC e mais destaques desta terça · infomoney.com.br
- Ibovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta terça · infomoney.com.br
- Mercado busca recuperação após ressaca eleitoral; Ibovespa em dólar sobe nesta terça-feira (27) · moneytimes.com.br



