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Endividamento familiar no Brasil: 81,6% das famílias possuem dívidas em outubro

05 de novembro de 2026
Endividamento familiar no Brasil: 81,6% das famílias possuem dívidas em outubro

Destaques

  • •A pesquisa da CNC aponta que 81,6% das famílias brasileiras possuíam algum tipo de dívida em outubro, com leve queda em relação a setembro.
  • •A inadimplência recuou pelo segundo mês consecutivo, mas o endividamento e a inadimplência entre famílias de menor renda continuam sendo um ponto de atenção.
  • •A taxa Selic em patamar elevado e os juros do crédito rotativo do cartão de crédito (440% ao ano) são fatores determinantes para a dificuldade de recuperação financeira.

A parcela de famílias brasileiras com algum tipo de dívida a vencer, como cartão de crédito, financiamento ou empréstimo, ficou em 81,6% em outubro. O dado é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice teve uma leve queda de 0,1 ponto percentual em relação a setembro, mas permanece acima dos 79,5% registrados em outubro de 2025.

A parcela de famílias que se consideram muito endividadas também apresentou queda, passando de 17,3% em setembro para 16,8% em outubro, o menor índice desde abril. A inadimplência, que considera famílias com contas ou parcelas em atraso, também recuou pelo segundo mês consecutivo, atingindo 29,3% em outubro, o menor patamar do ano.

Endividamento e inadimplência por faixa de renda

Apesar da melhora geral, a situação do endividamento e da inadimplência varia conforme a faixa de renda. Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, o percentual de inadimplentes subiu de 38,5% para 38,6% em outubro, sendo a única faixa em que o indicador avançou. Para essa mesma faixa, 84,5% das famílias possuíam dívidas.

Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, a inadimplência permaneceu estável em 15%, e o endividamento caiu de 71,9% para 71,5%. No entanto, dados do Banco Central (BC) indicam que a taxa de inadimplência cresceu 38,8% entre brasileiros que ganham de 10 a 20 salários mínimos e 35,8% entre aqueles com renda acima de 20 salários mínimos na comparação anual.

Juros altos e crédito rotativo: os vilões do orçamento

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, projeta que a redução do endividamento continue nos últimos meses do ano, impulsionada pelo pagamento do 13º salário. Contudo, ele alerta que a trajetória dos juros será determinante para a recuperação financeira das famílias em 2027. A taxa básica de juros (Selic) foi mantida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Bentes destaca que o peso dos juros sobre as famílias vai além da Selic, apontando o crédito rotativo do cartão de crédito como um dos principais vilões. Enquanto a taxa básica está em 13,75% ao ano, os juros médios do rotativo chegam a 440% ao ano, uma dívida que pode dobrar em menos de cinco meses. Os juros do parcelamento da fatura chegam a 193% ao ano.

Crédito e comportamento do consumidor

O cenário de juros elevados ocorre em meio à expansão do crédito às famílias, que cresceu 9,9% nos 12 meses encerrados em setembro. O volume de crédito concedido no rotativo do cartão cresceu 12,6% em setembro, para R$ 37,3 bilhões. Especialistas apontam o acesso mais fácil ao consumo pela internet e o comportamento de compra por impulso como fatores que pressionam o orçamento.

O educador financeiro Reinaldo Domingos, conhecido como Dr. Dívidas, explica que a dificuldade de reequilíbrio financeiro para famílias de menor renda se dá pela parcela significativa do orçamento comprometida com despesas essenciais. Ele ressalta a importância da educação financeira para essa parcela da população.

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