Endividamento de risco no Brasil atinge 17% dos tomadores de crédito

Destaques
- •Cerca de 20,3 milhões de brasileiros, 17% dos tomadores de crédito, estão em situação de endividamento de risco em junho de 2026.
- •Famílias de baixa renda comprometem maior parte do orçamento com dívidas, chegando a 42% da renda mensal, com destaque para o cartão de crédito.
- •O Banco Central estuda medidas para reduzir riscos na oferta de crédito digital e avalia problemas no crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
O número de brasileiros em situação de endividamento de risco atingiu 20,3 milhões em junho de 2026, representando 17% dos tomadores de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Este dado, divulgado pelo Banco Central (BC) em seu relatório de Estabilidade Financeira, marca um crescimento de 75% em cinco anos. O endividamento de risco é classificado pelo BC quando um indivíduo combina pelo menos dois de quatro critérios: inadimplência superior a 90 dias, comprometimento de mais da metade da renda com dívidas, renda restante abaixo da linha da pobreza após o pagamento dos débitos, ou uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo.
Endividamento é maior entre famílias de baixa renda
O peso das dívidas no orçamento é significativamente maior para os brasileiros de baixa renda. Para aqueles que ganham até dois salários mínimos, o pagamento das dívidas consome 42% da renda mensal, sendo que 15% são destinados especificamente ao cartão de crédito. Essa faixa de renda, que inclui 61,2 milhões de tomadores de crédito, concentra o uso de modalidades de crédito de alto custo. Em contraste, entre os que ganham mais de dez salários mínimos, o comprometimento da renda com dívidas é de 18,6%, com pagamentos mais associados a financiamentos imobiliários e de veículos.
Crescimento e riscos do crédito digital
O relatório do BC revela uma trajetória de alta no endividamento de risco desde 2021. A proporção de tomadores nessa situação era de 9,7% em junho de 2021, subindo gradualmente para 13,1% em 2022, 13,8% em 2023 e 13,4% em 2024, antes de alcançar os 17% em junho de 2026. O Banco Central também expressou preocupação com a oferta de crédito em canais digitais, que pode estimular a contratação de empréstimos sem planejamento, especialmente entre consumidores de menor renda, que recebem, em média, nove ofertas digitais de crédito por mês. A instituição estuda medidas para mitigar esses riscos.
Preocupações com crédito consignado
Outra modalidade que gera atenção é o Crédito do Trabalhador, voltado para empréstimos consignados a trabalhadores do setor privado. Em junho de 2026, o saldo de operações inadimplentes nessa linha somava R$ 6,1 bilhões. Segundo o BC, parte dessa inadimplência está ligada a trabalhadores que perderam o emprego, enquanto outra parcela se refere a pessoas que, mesmo após serem demitidas, conseguiram uma nova colocação formal, mas mantiveram o débito.



