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Empresas de TI no Brasil crescem 6x mais que o PIB com foco em qualidade de vida

05 de novembro de 2026
Empresas de TI no Brasil crescem 6x mais que o PIB com foco em qualidade de vida

Destaques

  • •Estudo GPTW revela que empresas de TI premiadas cresceram seis vezes mais que o PIB nacional no último ano.
  • •Qualidade de vida superou oportunidade de crescimento como principal motivo de permanência para profissionais de TI.
  • •Serasa Experian aponta que profissionais de TI no Brasil são majoritariamente homens, com faixa etária predominante entre 29 e 48 anos.

As 140 empresas de tecnologia da informação reconhecidas pelo GPTW como as melhores para trabalhar no Brasil apresentaram um crescimento médio de faturamento de 19% no último ano, seis vezes superior ao do PIB nacional, que foi de 2,3% em 2025. O dado, extraído do estudo GPTW Tecnologia da Informação 2026, reforça a tese de que a cultura organizacional é uma estratégia de negócio fundamental.

O ranking, em sua 21ª edição, analisou mais de 420 mil colaboradores e destacou que as empresas premiadas no estágio mais acelerado de inovação registraram crescimento médio de 19%, contra 15% da média geral do grupo. Para Daniela Diniz, diretora de Comunicação e Relações Institucionais do GPTW Brasil, a diversidade de equipes é um fator chave para a resolução criativa de problemas e a geração de soluções inovadoras.

Qualidade de vida como prioridade

Uma mudança significativa observada no estudo é a inversão na preferência dos profissionais de TI. Pela primeira vez, a qualidade de vida (40%) superou a oportunidade de crescimento (35%) como o principal motivo para permanecerem nas empresas premiadas. Em 2024, essa ordem era invertida.

Daniela Diniz explica que essa alteração reflete uma reconfiguração de valores, onde o modelo de trabalho, a flexibilidade e o tempo de qualidade ganharam mais importância. "O símbolo de sucesso mudou. Se as gerações anteriores valorizavam mais cargos e promoções, as gerações posteriores valorizam mais o conjunto da obra", afirma.

Nas empresas premiadas, 90% dos colaboradores expressam o desejo de permanecer a longo prazo, em comparação com 85% nas não premiadas. Esse sentimento de permanência se manifesta já nos primeiros meses de trabalho, mesmo em equipes com alta rotatividade.

Perfil do profissional de TI em transformação

Um levantamento da Serasa Experian, com base em 194.775 profissionais de TI, revela que o profissional do setor no Brasil é majoritariamente homem (77,4%), com idade predominante entre 29 e 48 anos (mais de 70% do público analisado). A faixa de renda mensal acima de R$ 10 mil abrange 33,1% desses profissionais.

O estudo da Serasa Experian também aponta uma mudança etária no setor. Em 2024, profissionais de 18 a 28 anos representavam 32,2% da base, caindo para 7,8% em 2026. Paralelamente, a faixa de 39 a 48 anos saltou de 15,8% para 35,7% no mesmo período. Letícia Sanchez, gerente-executiva de Recursos Humanos da Serasa Experian, ressalta que esses dados mostram a diversidade de perfis e a importância da atualização contínua.

A distribuição geográfica também aponta para uma TI mais descentralizada, com polos emergentes em Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, impulsionada pelo trabalho híbrido e remoto. No entanto, o estudo GPTW aponta um retrocesso na liderança feminina, com a participação na presidência-executiva caindo de 10% para 6%.

O que diferencia as melhores empresas

Indicadores como camaradagem (nota 92) e comportamentos de liderança como contratar e cuidar (notas 93) destacam as empresas premiadas pelo GPTW. Os maiores desafios permanecem em remuneração e percepção de justiça nas promoções.

Daniela Diniz recomenda que a diversidade seja tratada como estratégia de negócio e inovação, e não apenas como uma iniciativa de RH. A Serasa Experian, por exemplo, investe em trilhas de aprendizagem e plataformas de desenvolvimento para seus mais de 2.900 colaboradores de tecnologia.

O cenário de investimentos em tecnologia no Brasil, que podem chegar a R$ 2 trilhões entre 2026 e 2029, impulsionado por nuvem e IA, exige que as empresas criem condições para a atualização de competências e o desenvolvimento profissional contínuo.

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