Empresas de IA reforçam combate à desinformação em eleições dos EUA

Destaques
- •OpenAI, Anthropic, Google e Meta criam equipes e centrais de monitoramento para eleições nos EUA.
- •Ferramentas de IA podem gerar deepfakes e campanhas de desinformação mais convincentes.
- •Empresas buscam conter manipulação e garantir a confiança no processo democrático.
Grandes empresas de tecnologia, incluindo OpenAI, Anthropic, Google e Meta, intensificaram suas estratégias para coibir o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) na manipulação das eleições legislativas dos Estados Unidos, que ocorrem nesta terça-feira (3). As companhias estabeleceram equipes especializadas e centrais de operações para monitorar atividades suspeitas e combater campanhas de desinformação que possam minar a confiança no processo democrático.
Na OpenAI, mais de uma dúzia de funcionários atua em uma central de operações em São Francisco. Essa estrutura representa um avanço significativo em relação aos esforços da eleição presidencial de 2024, quando a tecnologia de IA era menos avançada e o ChatGPT possuía um quinto da sua base atual de um bilhão de usuários. Josh Lawson, líder da área de riscos cívicos e estratégicos da OpenAI, destacou que o monitoramento agora abrange não apenas textos, mas também vídeos e outros formatos gerados por IA, como deepfakes e ataques cibernéticos.
Novas centrais de monitoramento e equipes dedicadas
A Anthropic, criadora do chatbot Claude, também estabeleceu pela primeira vez uma sala de operações dedicada ao tema, reunindo analistas em São Francisco, Nova York e Washington. O Google e a Meta também prometeram ampliar seus esforços para prevenir o mau uso de suas ferramentas de IA, visando proteger a integridade do processo eleitoral.
A central eleitoral da OpenAI, que começou a operar na quinta-feira anterior à votação, conta com dezenas de pessoas trabalhando em conjunto com uma unidade em Washington. A equipe analisa comandos enviados ao ChatGPT que são automaticamente sinalizados por possíveis tentativas de criar informações falsas sobre as eleições, como alegações de fraude eleitoral, que poderiam ser disseminadas em redes sociais por meio de contas falsas.
IA amplia riscos e reduz moderação
Um levantamento do Brennan Center for Justice aponta um cenário contraditório: embora os chatbots populares geralmente resistam a pedidos de teorias conspiratórias, as ferramentas de IA produzem conteúdos que podem ser usados para enfraquecer a confiança na votação. A preocupação é agravada pela redução das equipes de segurança e moderação das redes sociais nos últimos anos. Após a interferência russa em 2016, a Meta criou uma central de operações para as eleições de 2018, mas desde então, a empresa e outras plataformas diminuíram o número de funcionários dedicados ao combate à desinformação eleitoral, em parte devido a pressões políticas.
Esse recuo na moderação coincidiu com a expansão das ferramentas de IA, aumentando o receio sobre o impacto da tecnologia nas eleições. Especialistas alertam que esses recursos podem tornar campanhas de manipulação mais convincentes, especialmente em um contexto onde equipes federais de combate a ameaças eleitorais foram desmanteladas.
Operações de influência estrangeira já identificadas
A OpenAI já havia reportado tentativas de operações de influência estrangeira envolvendo Rússia, China e Irã utilizando o ChatGPT, tendo interrompido duas campanhas no mês anterior à eleição. Ben Nimmo, investigador-chefe da OpenAI, afirmou que o objetivo é identificar e neutralizar essas iniciativas antes que ganhem tração significativa.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na International Journal of Communication em 2026, intitulado "From Maximizing to Minimizing Responsibility: A Comparative Analysis of Facebook’s Election Integrity Framing in News Media and the Meta Newsroom", analisou como a Meta (empresa controladora do Facebook) enquadra seu papel na integridade eleitoral. A pesquisa comparou as narrativas do blog Newsroom da Meta com as de grandes jornais americanos durante as eleições presidenciais dos EUA em 2020 e 2024.
Os achados indicam que tanto o Newsroom quanto os jornais adotaram um discurso tecnossolucionista, apresentando o Facebook como a principal solução para ameaças digitais à democracia. Ao longo do tempo, os mecanismos de enquadramento mudaram de maximizar a responsabilidade da Meta para minimizá-la. O estudo sugere que essas narrativas auxiliam a empresa a evitar regulamentação governamental e contextualiza as mudanças drásticas na moderação de conteúdo implementadas no início de 2025.
Pesquisa citada
- From Maximizing to Minimizing Responsibility: A Comparative Analysis of Facebook’s Election Integrity Framing in News Media and the Meta Newsroom
International Journal of Communication · 2026
Matérias originais
- Big techs reforçam combate a conteúdos falsos gerados por IA nas eleições dos EUA · olhardigital.com.br



