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Embrapa e FAO unem forças para conservar sementes crioulas no Brasil

24 de outubro de 2026
Embrapa e FAO unem forças para conservar sementes crioulas no Brasil

Destaques

  • •Projeto ConservaIn, coordenado pela Embrapa e financiado pela FAO, fortalece a conservação de variedades agrícolas tradicionais em dez estados brasileiros.
  • •A iniciativa integra a conservação in situ (nas propriedades rurais) e ex situ (em bancos de germoplasma), com financiamento internacional de US$ 200 mil.
  • •O projeto prevê capacitação de agricultores, modernização de bancos comunitários e a reintrodução de sementes extintas nas lavouras.

Um projeto inovador coordenado pela Embrapa, com financiamento de cerca de US$ 200 mil (R$ 1 milhão) do Fundo de Repartição de Benefícios da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), está fortalecendo a conservação de variedades agrícolas tradicionais em dez estados brasileiros. O projeto ConservaIn envolve agricultores familiares, comunidades indígenas e guardiões de sementes em uma rede que abrange desde o cultivo de culturas básicas como arroz, milho e feijão até a preservação de espécies nativas.

A iniciativa, apresentada em outubro no portal internacional da FAO, visa atender diretamente pelo menos 400 famílias e 20 comunidades. O objetivo é integrar pesquisadores e agricultores na preservação de recursos genéticos essenciais para a produção de alimentos. A conservação é realizada de duas formas: in situ, diretamente nas propriedades rurais pelos agricultores locais, e ex situ, em armazenamento refrigerado em bancos de germoplasma mantidos por instituições como a Embrapa. Essa integração permite que variedades cultivadas pelas comunidades sejam armazenadas em coleções públicas e que materiais conservados em laboratórios retornem às áreas de produção.

Rede de Pesquisa e Conservação Abrange Cinco Biomas

O ConservaIn é uma rede de pesquisa e conservação criada há seis anos pela Embrapa, com atuação nos estados do Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Amapá, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O projeto contempla cinco biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa. As atividades são conduzidas por sete unidades descentralizadas da estatal e envolvem 35 pesquisadores, curadores de bancos de germoplasma, técnicos, associações, ONGs e as próprias comunidades responsáveis pela manutenção das variedades vegetais.

Os recursos internacionais aprovados pela FAO complementarão as atividades de uma estrutura de conservação já existente, que contava com orçamentos institucionais. Além dos US$ 200 mil do fundo da FAO, o projeto conta com um cofinanciamento estimado em US$ 688 mil, proveniente principalmente da dedicação dos pesquisadores e de recursos das instituições participantes. O projeto está registrado na FAO sob o código PR-154-S, com o nome de Rede de Apoio à Conservação Local de Recursos Genéticos Vegetais no Brasil e Integração com os Bancos de Germoplasma da Embrapa.

Sementes Tradicionais Voltam às Comunidades Rurais

Entre as espécies contempladas estão culturas fundamentais para a alimentação e a renda de famílias rurais, como arroz, milho, feijão-comum, fava, feijão-caupi, mandioca, batata, batata-doce e inhame. O trabalho com os agricultores também abrange outras espécies mantidas nas propriedades, como abóboras, pimentas, amendoim, açaí e frutas nativas. A conservação realizada pelos agricultores permite que as plantas continuem a responder às condições ambientais locais, passando por ciclos de plantio, colheita e seleção.

Os bancos de germoplasma, por sua vez, armazenam parte desse material sob condições controladas, formando uma reserva estratégica. Uma das atividades previstas é a duplicação de segurança das sementes crioulas, garantindo a preservação dos direitos dos agricultores. O programa também possibilita a reintrodução de variedades que desapareceram das áreas de cultivo, mas que foram armazenadas nos bancos públicos. Ensaios participativos permitem que agricultores e guardiãs de sementes avaliem variedades de arroz, milho, feijão e mandioca, considerando o desempenho local e as necessidades alimentares.

Capacitação e Modernização de Bancos Comunitários

A execução do ConservaIn, iniciada em junho de 2026, prevê a capacitação de agricultores para multiplicação, armazenamento e avaliação da qualidade das sementes. Serão distribuídos kits simplificados para testes de germinação em bancos comunitários, com orientações técnicas sobre conservação e controle de contaminação por materiais transgênicos. O projeto também visa organizar informações sobre os responsáveis pela conservação de sementes no país, com a Embrapa planejando modernizar e disponibilizar um portal público para reunir registros de bancos comunitários e iniciativas locais.

O sistema deverá conectar informações nacionais a plataformas internacionais, facilitando a identificação de experiências de conservação e instituições que atuam com recursos genéticos vegetais. As atividades incluem a elaboração de diagnósticos e recomendações técnicas que poderão subsidiar programas governamentais relacionados à agricultura, conservação ambiental, agroecologia, produção orgânica e segurança alimentar. A participação das mulheres rurais e o envolvimento de estudantes de escolas rurais, professores e extensionistas também integram o planejamento, ampliando a participação intergeracional nas ações de preservação agrícola.

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